Mercado de trabalho tem pior resultado do ano em julho, com saldo positivo de 58.568 vagas

O mês de julho registrou saldo positivo de 58.568 vagas no mercado de trabalho formal, resultado de 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministro do Trabalho e do Emprego (MTE) nesta sexta-feira (28/8). É o pior resultado desde dezembro de 2025, quando o saldo foi negativo em 634 mil vagas, e o pior saldo para o mês de julho desde 2019, quando o resultado foi positivo em 43 mil postos. Com o resultado de julho, o estoque de vínculos formais no país chegou a 48.082.866.
Comércio fecha vagas
O resultado de julho foi puxado por uma desaceleração na geração de vagas na agropecuária, na construção e nos serviços, que fecharam o mês com saldo positivo, mas inferior ao de junho. O comércio foi o único dos cinco grandes grupamentos de atividade econômica com saldo negativo, de 2.056 postos, puxado pelo varejo (-3.674).
“A taxa de juros é um fator que tem afetado objetivamente os postos de trabalho no comércio, o que inibe a compra pelo consumidor, e também o impacto nos investimentos feitos com a ampliação de postos em lojas e das atividades econômicas. Você também tem cada vez mais um crescimento das lojas online”, avaliou o ministro do Trabalho substituto, Chico Macena.
Entre os grupamentos com resultado positivo, os serviços lideraram a geração de vagas, com saldo de 24.098 postos, puxado por transporte, armazenagem e correio (+15.222) e saúde humana e serviços sociais (+7.761) — a educação teve saldo negativo de 7.352 postos. Segundo avaliação do MTE, o resultado nesse último setor é esperado para julho, já que os contratos temporários de professores costumam ser encerrados.
A construção fechou o mês com saldo de 12.691 postos, com destaque para obras de infraestrutura (+7.087). A agropecuária somou 12.523 vagas, impulsionada pelo cultivo de laranja (+3.636). Já a indústria teve saldo positivo de 11.315 postos, puxado pela fabricação de produtos alimentícios (+6.994).
Regiões
Das 27 unidades da Federação, 22 registraram saldo positivo em julho. Em valores absolutos, os maiores saldos foram os de São Paulo (+17.814), Mato Grosso (+5.766) e Minas Gerais (+5.199). Em termos relativos, os destaques foram Amazonas (+0,63%), Mato Grosso (+0,59%) e Piauí (+0,52%). O Espírito Santo teve o pior desempenho relativo (-0,28%), puxado pela desmobilização de atividades ligadas ao café.
Acumulado do ano
No acumulado de 2026, o saldo positivo chega a 972.203 postos de trabalho, alta de 2,06%. Os serviços somam 591.519 vagas (+2,58%) no período, seguidos pela construção, com 180.449 postos (+6,12%), pela indústria, com 154.052 (+1,72%), e pela agropecuária, com 54.106 (+2,99%). O comércio é o único grupamento com saldo negativo no ano, de 7.896 postos (-0,08%).