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Na ONU, Trump diz que invasão à Venezuela foi o melhor negócio feito e fala em ‘aniquilar’ o Irã

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Na ONU, Trump diz que invasão à Venezuela foi o melhor negócio feito e fala em ‘aniquilar’ o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um discurso nesta terça-feira (22/9) na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) com ameaças militares, defesa de ações de seu governo e críticas ao sistema multilateral.

Ao citar a operação militar que levou à captura de Nicolás Maduro, em janeiro, na Venezuela, Trump destacou o potencial petrolífero do país e afirmou que, somados, Estados Unidos e Venezuela teriam “mais de 60% do petróleo do mundo”. Na sequência, disse que a operação, embora tenha sido uma guerra, talvez tenha resultado “no maior negócio já feito”. “Ao vencedor, as batatas”, disse.

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Trump foi o segundo chefe de Estado a falar no primeiro dia da Assembleia Geral, logo depois do presidente Lula (PT), seguindo a tradição em que o Brasil abre os discursos e o país-sede fala na sequência.

Na fala de Trump, a operação foi exemplificada como demonstração do poder americano. Ele afirmou que os Estados Unidos não permitirão que ameaças ao país ganhem espaço no Hemisfério Ocidental. Disse ainda que, se necessário, utilizará seu “poderio militar inigualável” para defender os interesses americanos.

“Nossas ações na Venezuela são prova de que os EUA não permitirão mais ameaças aos EUA para conquistar uma posição em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental. Se necessário, usaremos nossa força militar para assegurar os interesses vitais dos Estados Unidos”, disse.

A operação, realizada em janeiro, levou à captura de Maduro e à sua transferência para os Estados Unidos, onde responde a acusações na Justiça americana. O país é atualmente governado interinamente por Delcy Rodríguez.

Trump fala em ‘aniquilar’ o Irã

A guerra entre EUA e Irã ocupou parte importante do discurso de Trump. O americano disse que enfrenta a“ grande decisão” de negociar um acordo que permita ao regime iraniano se reconstruir ou “aniquilar” a República Islâmica. Apesar da ameaça, disse acreditar que um acordo poderá ser alcançado depois das eleições de meio de mandato americanas, marcadas para novembro.

Trump defendeu as operações militares americanas contra o país e afirmou que elas impediram o Irã de obter armas nucleares. Também pediu que outras nações adotem “isolamento econômico total” contra Teerã e condicionou o fim da pressão americana ao abandono das ambições nucleares, do apoio a grupos armados e dos ataques a embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.

Ao tratar da América Latina, Trump voltou a equiparar cartéis de drogas a grupos terroristas, chamando-os de  “Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental”. Ele defendeu ações contra as organizações criminosas que atuam na região.

O presidente americano não citou diretamente o Brasil ou Lula no discurso. Recentemente o governo Trump ampliou a pressão sobre organizações criminosas latino-americanas e em meio à atuação americana na Venezuela. Antes da fala do presidente dos EUA, Lula disse que o Brasil não vai “terceirizar” a responsabilidade de proteger as fronteiras e garantir segurança à população.

Trump também criticou o governo cubano e afirmou que “Cuba vai cair”. Disse que o regime está sob forte pressão americana e acusou Havana de manter relações com grupos de esquerda nos Estados Unidos. Em março, Trump já havia afirmado que Cuba cairia “muito em breve” e indicado que Marco Rubio teria papel nas negociações com o governo cubano.

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Em contraponto ao discurso de Lula, que defendeu a regulamentação das big techs e da inteligência artificial, Trump rejeitou iniciativas de regulação internacional da tecnologia. O presidente americano defendeu que os Estados Unidos mantenham o ritmo de desenvolvimento da IA e afirmou que quem vencer a corrida pela chamada “superinteligência” terá vantagem global.

Críticas à ordem multilateral

Trump também voltou a criticar organismos internacionais e defendeu que os Estados Unidos mantenham maior autonomia para definir sua política externa. O discurso ocorre em um momento de tensão sobre o papel da própria ONU, após a redução do apoio financeiro americano à organização.

Ao contrário do discurso de 2025, quando concentrou parte da fala em seu suposto papel como negociador de acordos de paz, Trump apresentou neste ano um balanço das ações de seu governo, com destaque para operações militares, segurança, economia e política externa.