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Ato de Flávio Bolsonaro confirma resiliência do bolsonarismo, mas sem força disruptiva de anos atrás

JOTA·
Ato de Flávio Bolsonaro confirma resiliência do bolsonarismo, mas sem força disruptiva de anos atrás

A tarde de frio em São Paulo com certeza deve ter contribuído para deixar muita gente em casa. No entanto, é pouco provável que um lindo dia de sol com temperatura amena teria garantido uma lotação que fizesse jus aos padrões históricos de outros atos bolsonaristas na avenida Paulista.

Segundo cálculo feito pelo Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e pela organização sem fins lucrativos e não partidária More in Common publicado pelo jornal O Globo, as manifestações convocadas pela direita na Avenida Paulista tem atraído menos simpatizantes desde 2022.

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O comício de Flávio Bolsonaro (PL) nesta segunda-feira, 7 de Setembro, foi mais um exemplo de uma campanha até agora marcada pela ausência de empolgação e de comprometimento por parte do personagem principal, o eleitor. Mesmo a famosa “militância partidária” tem dado sinais de desalento e abandonado arquibancadas antes da hora, como ocorreu no ato de lançamento da campanha de Lula, no estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.

No início de agosto, na convenção que homologou a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) a governador de São Paulo foi constrangedor ver o candidato, líder disparado nas pesquisas, discursar para um ginásio do Ibirapuera, na capital paulista, que se esvaziava com a velocidade de um tanque de água perfurado por uma broca de prospectar petróleo. Em Campinas (SP), um petista que vem de longe comentou, no final de julho, nunca ter visto um evento tão sem emoção quanto o de lançamento da chapa Fernando Haddad (PT) ao Palácio dos Bandeirantes.

Quase um mês após o início oficial da campanha, o mesmo Flávio Bolsonaro que já havia experimentado a sensação de vislumbrar clarões na multidão e de mirar olhares desanimados em Copacabana, fez uma nova e arrojada tentativa de atrair as massas. Porém, neste Dia da Independência, nem a crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo, que em outros tempos seria como um prato de açúcar para uma nuvem de moscas, foi capaz de atrair gente suficiente para encher mais do que dois quarteirões da famosa via.

O ato bolsonarista de hoje em São Paulo foi uma demonstração de força, mas não deverá simbolizar uma “virada” na campanha, um evento para ser lembrado quando a história destas eleições for resgatada. Em linhas gerais, nenhuma novidade em forma nem em conteúdo, ou seja, os mesmos personagens atacando aqueles que eles consideram os culpados de sempre (Lula, Moraes, o PT, Supremo…).

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Flávio Bolsonaro e o bolsonarismo permanecem firmes como opção ao PT. Essa resiliência não é pouca coisa. Mas o viço antissistema de anos atrás se perdeu em algum gabinete de Brasília ou na camaradagem demonstrada pelo candidato do PL nas conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre o filme Dark Horse.

Afinal, quando o bolsonarismo e Flávio Bolsonaro escolhem Moraes como alvo e passam a criticá-lo por suas ligações com Vorcaro, só podemos nos lembrar de La Rochefoucauld, moralista francês do século 17: a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude.

Então, se o experiente e rodado Lula tem sofrido para interpretar o papel do sindicalista de 1989, do “paz e amor” de 2002 ou do “salvador da democracia” de quatro anos atrás, a depender da plateia, Flávio Bolsonaro também peleja para evocar o espírito disruptivo que levou feito tufão seu pai à Presidência em 2018.

Ao fim e ao cabo, os dois extremos da polarização dão sinais de esgotamento no primeiro mês da atual campanha. Muita raiva, muito “fora isto, fora aquilo” e pouca capacidade de despertar algum brilho no olhar do eleitor por parte dos principais colocados nas pesquisas para presidente. Talvez essa fadiga de material explique, ao menos em parte, os índices de Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) nas pesquisas.

Ainda é cedo para sabermos se esta será uma eleição de continuidade ou de mudança, de surpresas ou de mais do mesmo, de esperança ou de contra tudo que está aí. Mas já é possível afirmar que ela, por ora, não arrasta multidões de corações e mentes.

Se esse estado de ânimo (ou de espírito) dos brasileiros se transformar em alta abstenção, aí sim poderemos ter alguma surpresa. Engajar eleitores e tirá-los da letargia passou a ser um fator determinante a partir de agora.