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Consignado CLT já ‘é um sucesso’, mas precisa evoluir em questões operacionais, diz diretor da Febraban

JOTA·
Consignado CLT já ‘é um sucesso’, mas precisa evoluir em questões operacionais, diz diretor da Febraban

O diretor-adjunto de Produtos da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rafael Baldi, destacou que o consignado para trabalhadores do setor privado já “é um sucesso”. No entanto, em entrevista ao JOTA, ressaltou que ainda existe necessidade de evolução em questões operacionais.

Baldi destaca que houve um crescimento vertiginoso no início do lançamento do Crédito ao Trabalhador, no fim de março de 2025 porque havia uma “demanda reprimida”. Segundo o BC, o saldo do crédito consignado para trabalhadores do setor privado passou de R$ 41,6 bilhões em março do ano passado para R$ 117,6 bilhões em julho deste ano.

“Como todo lançamento de um produto em larga escala, a gente enfrenta problemas operacionais, enfrenta necessidade de correções porque às vezes as coisas não saem efetivamente como estava tudo planejado. Fazendo um balanço de quase um ano e meio, a gente tem a sensação de que foi uma decisão acertada. O produto tem o potencial de realmente ajudar, mas os pontos operacionais já deveriam ter sido sanados há algum tempo. É isso que impede um crescimento maior do produto hoje”, disse Baldi.

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Entre as questões operacionais que precisam ser resolvidas, Baldi mencionou a escrituração. O empregador precisa registrar a operação de crédito no e-social e, em “muitos casos”, segundo Baldi, as escriturações saem com problemas, por exemplo, com número errado do banco ou valores errados. “São inconsistências em termos de dados que acabam diminuindo o alcance. O banco tem que parar e entender o que está acontecendo com aquele contrato”.

O diretor apontou que existe uma discussão entre o setor e governo para trabalhar sobre esses pontos, como o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Dataprev e o Serpro, além da Caixa Econômica Federal. O processo de entender e propor uma rota de correção demanda tempo.

Baldi explica que, com o novo programa, muitas empresas que não estavam acostumadas a lidar com esse tipo de questão, passaram a ter que se adaptar. Antes do Crédito ao Trabalhador, o consignado CLT era viabilizado por um acordo entre a empresa contratante e um banco e muitas vezes ficava restrito a empresas de maior porte. Agora, o público aumentou para trabalhadores de empresas de médio e pequeno porte também. Há uma “heterogeneidade” grande, destacou Baldi.

“Os departamentos pessoais, ou quem faz o trabalho operacional, tem níveis de conhecimento diferentes, de rotina diferente. Tem rotina que é muito mais profissionalizada e tem rotina que é simplesmente para manter o negócio funcionando, ou seja, não é uma prioridade do negócio. Sem juízo de valor, mas o ponto é que essa heterogeneidade traz para a mesa um fator da imprevisibilidade. Essa imprevisibilidade, quando ela tem erro, ela vira inadimplência”, disse.

Segundo Baldi, já existe um mapa de soluções e propostas que estão sendo analisadas pela Dataprev e pelo MTE. A esperança, de acordo com ele, é que a questão da escrituração seja resolvida neste ano.

“Não se resolve tudo da noite para o dia. A gente está pegando os problemas maiores, que tem uma curva de correção curta, mas que afetam grande parte de participantes, trabalhadores, e a gente tem priorizado isso”.

Revínculo automático

A questão do revínculo automático era um ponto que estava pendente desde o lançamento do programa e que foi resolvida no fim de agosto. A transferência automática do vínculo de emprego estava prevista na Lei 15.179/25 e previa que, em caso de rescisão ou suspensão do contrato de trabalho, o redirecionamento da consignação seria feito de forma automática para outros vínculos empregatícios.

No entanto, a solução cobriu apenas os novos contratos. Para as operações antigas, ainda é necessário avançar. “Hoje está controlado, mas precisa ser endereçado, precisa ser resolvido”, disse Baldi.

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Inadimplência

O diretor da Febraban ainda destacou que a elevação da inadimplência está “intrinsecamente” relacionada aos problemas operacionais. Dados do BC mostram que a inadimplência no consignado privado chegou a 10% em julho, depois de subir continuamente desde novembro, quando o patamar estava em 5%. A inadimplência do consignado para servidores públicos é de 2,7% e para beneficiários do INSS, de 2,1%.

“Se eu tiver uma redução dos problemas [operacionais], eu tenho uma redução da taxa [de inadimplência]. Se eu não tiver uma redução dos problemas, eu não tenho uma redução da taxa. O ponto da inadimplência alta aqui não é do não pagamento. Ele advém do problema operacional”, afirmou.