Diretora da ANS defende parceria com governo para cobertura de terapias de alto custo por planos

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) iniciou conversas com o Ministério da Saúde em busca de uma parceria em modelos de compra de medicamentos de alto custo com a saúde suplementar. “Buscamos esse diálogo, pois, se esse setor ficar de fora, teremos um grande impacto financeiro”, afirmou ao JOTA a diretora Lenise Barcellos.
Para a representante da agência, as modalidades de compartilhamento de risco e preço sigiloso, que vêm sendo avaliadas pelo governo para aquisição de terapias de alto custo, também podem ser exploradas pelas operadoras de saúde. Ela ressaltou, no entanto, que as medidas precisam ser monitoradas de perto. “É necessário ter uma análise criteriosa tanto no SUS quanto na saúde suplementar, para saber se a melhor solução está sendo tomada”, ressaltou Barcellos, durante evento realizado pelo Instituto Consenso na terça-feira (22/9), em Brasília.
Barcellos sugeriu que uma possibilidade a ser explorada seja a compra de produtos pelo Ministério da Saúde para todo o Brasil. “Seria semelhante, digamos assim, ao ressarcimento ao SUS. Só que a operadora faria esse pagamento ao governo antes, não depois. Eu preciso de determinada medicação de alto custo, o Ministério me fornece e eu pago [ao ministério]”, destacou.
A diretora da ANS também adiantou que a agência tem estudado se a adoção do limiar de custo-efetividade — valor de referência usado para decidir se um novo medicamento, exame ou tratamento vale o custo para ser oferecido pelo SUS — pode ser usado também na saúde suplementar. “Contratamos uma ajuda externa para entender se esse parâmetro pode também ser utilizado para as análises de incorporação na saúde suplementar. Ele servirá para parametrizar e trazer outras linhas observacionais e não ser um limite”, destacou Barcellos.