Constitucional

Drogarias devem ter farmacêutico trabalhando presencialmente durante todo o expediente, diz STJ

JOTA·
Drogarias devem ter farmacêutico trabalhando presencialmente durante todo o expediente, diz STJ

A 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade, nesta terça-feira (3/11), que todas as farmácias e drogarias têm a obrigação de manter um farmacêutico presencialmente em cada unidade durante todo o horário de funcionamento. O colegiado deu provimento ao Recurso Especial (REsp) 1776753/MG, interposto pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), e restabeleceu a sentença de primeira instância, sob pena de multa diária.

O processo envolve a rede Drogaria Araújo, que tem mais de 200 lojas em Minas Gerais. O Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) havia autorizado a assistência farmacêutica a distância nos períodos de intervalo, plantões e em unidades com atendimento 24 horas. O MPMG recorreu ao STJ ao defender que cada loja física tem a condição de estabelecimento autônomo e necessita da presença física contínua do profissional encarregado, conforme o artigo 15 da Lei 5.991/1973.

Durante a sessão, a defesa da rede sustentou a validade do atendimento remoto por meio de sistemas digitais. O advogado Carlos Eduardo Caputo Bastos questionou a interpretação sobre a modalidade de assistência ao cliente. “A norma permanece idêntica. O mundo contemporâneo marcado pela digitalização das relações sociais é que impõe nova compreensão do que significa estar presente”, argumentou o advogado.

Entretanto, para o relator do recurso, ministro Marco Aurélio Bellizze, não cabe ao poder judiciário substituir o legislador ao tratar de políticas públicas de saúde estabelecidas nem alterar a regra diante de texto legal expresso. O magistrado explicou que a Lei 14.510/2022, que regulamentou a telesaúde, não revogou nem substituiu as exigências previstas em normas especiais relativas à saúde pública. Segundo ele, o parágrafo primeiro do artigo 15 da Lei 5.991/1973 estabelece expressamente a obrigatoriedade da presença do responsável técnico durante todo o período de funcionamento da loja.

O ministro ainda diferenciou o processo de envio do medicamento da orientação médica dada pelo farmacêutico ao paciente. “A entrega é um evento logístico. Ponto final. Já a dispensação é um processo técnico clínico. E se esse processo técnico clínico pode resultar em danos à saúde, que é o bem jurídico aqui tutelado, a presença de um profissional fisicamente no estabelecimento é fundamental”, ressaltou.

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O ministro Afrânio Vilela acompanhou o voto do relator. “O artigo 15, ele é direto e ele é imperativo, deve, não é no sentido pode. Então se deve, todos realmente devem cumprir a lei.”

O processo tramita como REsp 1776753.