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Encontro entre Mauro Vieira e Marco Rubio pode lançar novas bases da relação Brasil-EUA

JOTA·
Encontro entre Mauro Vieira e Marco Rubio pode lançar novas bases da relação Brasil-EUA

Passadas as eleições no Brasil e nos Estados Unidos, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta na normalização das relações políticas com a gestão Donald Trump. E isso significaria a abertura de canais e o acesso a funcionários do lado de lá em vários níveis de governo, não apenas entre os presidentes.

Não há expectativa de revisão imediata das tarifas aplicadas ao Brasil, nem de que os dois países “se tornem melhores amigos”. Mas existe a avaliação de que as eleições no Brasil e nos EUA criaram uma janela de oportunidade para o que um integrante do governo está chamando de “normalização pragmática da relação”.

Nesse cenário, o encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, às margens da reunião de chanceleres do G7, em Paris, na semana que vem (ainda sem hora marcada), pode finalmente lançar as novas bases da relação bilateral.

E o ponto de partida seria o que este interlocutor ouvido pelo JOTA chamou de “crise dos vistos”. O Brasil não espera grandes gestos da parte de Washington, mas considera que este seria um deles para garantir que o ambiente mudou.

Nesse contexto, estariam previstos a concessão pelo governo brasileiro do agrément do próximo embaixador norte-americano no Brasil, Daniel Perez, e o visto de residência dele (que estaria condicionado à situação da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, que teve o visto parcialmente revogado), bem como o fim de limitações impostas pelos EUA para ministros brasileiros irem ao país.

Ainda não está claro o que pretende a Casa Branca após a derrota de Trump nas eleições de meio de mandato. O Brasil espera ver flexibilização do maximalismo americano nas negociações para um acordo, que terá de ser equilibrado para ser aceito.

“Vamos continuar engajados, de boa-fé, nas negociações, sobretudo porque dois anos é muita coisa para os setores que estão sendo afetados pelo tarifaço até aqui”, disse uma fonte.

O governo não vê possibilidade de radicalização contra o Brasil passado o calendário eleitoral, que esteve por trás do tarifaço e das penalidades até aqui.

Em um momento em que Washington revisita suas políticas no pós-eleição, sob críticas abertas do vice-presidente JD Vance, candidato à sucessão em 2028, e com a possibilidade de saída de Rubio – ele também com ambições presidenciais –, com vistas a dissociar-se da derrota nas urnas desta semana, existem chances de grandes mudanças no tratamento daqui para a frente.