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JOTA Principal: Transição para 4º mandato de Lula é marcada por impasses na economia

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JOTA Principal: Transição para 4º mandato de Lula é marcada por impasses na economia
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Enquanto comemorava a vitória nas eleições e descansava do ritmo intenso da campanha, o presidente Lula viu crescer a lista de problemas na área econômica, Fábio Pupo analisa na nota 1.

Entre eles, se destaca a pressão por adiamento da reforma tributária, Daniel Marques Vieira e Eduarda Esposito escrevem na nota 2.

E o uso da aprovação do governo como métrica mostra o tamanho do desafio para o presidente eleger um sucessor em 2030, analisa Daniel Marcelino na nota 3.

Boa leitura e bom fim de semana!


O PONTO CENTRAL

1. As pedras no sapato

A transição do terceiro para o quarto mandato de Lula é marcada por um acúmulo de impasses na área econômica, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.

  • A incerteza sobre o rumo das contas públicas levou à interrupção dos cortes da taxa básica de juros (a Selic), as projeções de desaceleração da atividade econômica continuam se agravando e as discussões sobre a reforma tributária agora ameaçam a arrecadação federal em 2027.
  • Lula também precisa definir quem fica e quem entra na composição dos ministérios e as indicações a outras posições-chave na área econômica, como as do Banco Central.
  • As nomeações da autarquia dependem do Congresso e, assim como os ajustes na proposta orçamentária e outras medidas na área fiscal, precisariam ser feitas ainda neste ano para aproveitar uma composição parlamentar mais favorável, especialmente no Senado.

🔮Panorama Lula recebeu ontem alguns dos principais integrantes do governo para discutir o cenário econômico: o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Miriam Belchior (Casa Civil), Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento) e Esther Dweck (Gestão).

  • Também participaram Aloizio Mercadante (presidente do BNDES), Fernando Haddad (ex-ministro da Fazenda), Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda) e Luciano Coutinho (ex-presidente do BNDES).
  • Outros presentes foram os economistas Laura Carvalho (da FEA-USP, com pesquisa em redistribuição de renda e desigualdade) e Eduardo Moreira (ex-sócio do banco Pactual com forte presença pró-Lula nas redes).

Sim, mas… Em meio a tantas incertezas e à pressão de determinadas correntes do PT contra ajustes fiscais, eliminar teses vistas como mais arriscadas já pode ser recebido com alívio pelo mercado.

  • Nesse sentido, Durigan deu um “recado” após a reunião, contra a proposta do economista André Lara Resende de sugerir a redução dos juros por meio da criação de uma banda para a Selic: o ministro da Fazenda disse que “não há fórmula mágica para resolver a economia”.

UMA MENSAGEM DO JURISPRUDENTE

A confiança de quem investe melhorou no Brasil?

Ca Aulucci/JOTA

Em 2025, o Brasil tirou nota 35, numa escala de zero a 100, no primeiro levantamento do Índice de Segurança Jurídica e Regulatória (Insejur), criado pelo JOTA ao lado de professores do Insper para medir a percepção sobre previsibilidade do Brasil. Em ano eleitoral, a pesquisa vai avaliar o grau de confiança de quem investe no país. Participe e contribua com a construção do indicador. Responder leva menos de 5 minutos.


2. Agenda sob pressão

Moedas de real / Crédito: Freepik

Um dos temas que ganha destaque entre as discussões econômicas é a possibilidade de adiamento do início da reforma tributária, com a mobilização do Conselho Federal da OAB e de entidades que reúnem tributaristas, Daniel Marques Vieira e Eduarda Esposito escrevem no JOTA PRO Poder.

  • As principais preocupações são a ausência de definições essenciais e as dificuldades operacionais que comprometem a preparação dos contribuintes.
  • Embora já haja movimentação a favor do adiamento dentro do Congresso, parlamentares ouvidos pelo JOTA dizem que a PEC para isso dependeria do Planalto, que sinaliza em sentido oposto.
  • O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo deve divulgar medidas complementares para tentar melhorar a aceitação da reforma.

🔮O que observar Na terça (10/11), o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, se reúne com a FPA, a bancada do Agro, para discutir a reforma. Também está previsto um encontro da equipe econômica com os membros do antigo grupo de trabalho da reforma na Câmara, com participação de representantes de setores econômicos, como comércio e serviços. Eles devem tratar tanto da alíquota da CBS quanto das regras do Imposto Seletivo.


3. A régua

Manifestação a favor de Lula em SP / Crédito: Ricardo Stuckert

A aprovação do governo é um elemento crítico do cálculo para Lula fazer um sucessor em 2030, Daniel Marcelino analisa no JOTA PRO Poder.

  • Enquanto a oscilação nas intenções de voto dificultou a análise do resultado da última eleição, a leitura da linha estável de 47% de aprovação do governo, sem grandes sobressaltos, era um indicador melhor da reeleição de Lula.
  • O número aponta que um presidente tem na urna o que tem de aprovação. Os pontos percentuais que Lula obteve além desse patamar mostram que Flávio Bolsonaro não conseguiu convencer parte dos eleitores insatisfeitos de que seria uma alternativa melhor.

🔮O que observar O desafio para o Planalto em 2030 é bem maior, já que a régua para eleger um sucessor é mais alta do que a necessária para conquistar a própria reeleição.

  • Os dados indicam que um governante — presidente, governador e prefeito de capital — que concorre à reeleição tem cerca de 51% de chance de vitória com a aprovação em torno de 42%. Mas para eleger um sucessor, a aprovação precisa chegar a aproximadamente 57%.

Sim, mas… Embora a trajetória do próprio Lula mostre que um crescimento é possível, a expectativa é que a aprovação no quarto mandato não se afaste dos patamares atuais. Sem um aumento considerável na aprovação popular, a mesma métrica que antecipou a vitória de 2026 pode antecipar a derrota de 2030.


4. ‘Para o túmulo’

Flávio Bolsonaro durante a campanha / Crédito: Charles Vieira

Na primeira entrevista após chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro disse ao jornal americano The New York Times que “vai levar para o túmulo” a história de como fugiu para o país.

  • Flávio insistiu que planejou tudo sozinho, apesar do próprio NYT mostrar que um funcionário da Casa Branca o ajudou na empreitada.
  • O NYT destacou que o candidato derrotado nas eleições repetiu acusações infundadas de fraude eleitoral e fez outras alegações sem provas — que o jornal refutou, uma a uma.
  • Nas redes sociais, o aliado do clã Bolsonaro Paulo Figueiredo reclamou que a publicação não divulgou a íntegra da conversa, chamou o NYT de “esquerdista” e disse que ele e Flávio “já sabiam” que a notícia viria enviesada quando o senador deu a entrevista.

5. Crise no vizinho

Santiago Peña em reunião / Crédito: Presidência do Paraguai

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou ontem a renúncia do cargo, em decorrência da crise envolvendo o Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país, Luísa Carvalho escreve no JOTA.

  • Peña foi acionista da holding do banco ao mesmo tempo em que ocupava a presidência — ele foi eleito em 2023 e foi sócio da instituição financeira até março de 2025.
  • A instituição reunia por volta de 2,9 milhões de clientes — o equivalente a 40% da população do Paraguai — e administrava aproximadamente 850 milhões de dólares em recursos públicos.
  • O banco foi alvo de uma intervenção do Banco Central do Paraguai após uma grave deterioração em seu índice de solvência, ou seja, sua capacidade de absorver perdas sem comprometer a estabilidade.
  • Segundo o BCP, o banco deixou de cumprir os requisitos prudenciais para operar normalmente quando o indicador caiu para 5,56%, menos da metade do mínimo de 12% exigido pela regulamentação paraguaia.

🔭Panorama A crise tem sido comparada ao caso do Banco Master, no Brasil: coloca sob questionamento as relações entre políticos, controladores do banco e autoridades monetárias.

  • Um dos problemas identificados pelo BCP foram operações com empresas relacionadas aos acionistas — além de deficiências na avaliação de risco dos empréstimos, inconsistências nas informações financeiras usadas para aprovar financiamentos e falhas no acompanhamento dos recursos concedidos.
  • A repercussão levou à renúncia do presidente do Banco Central, à detenção de oito dirigentes do banco e a um pedido de impeachment contra Peña e seu vice.
  • O presidente anunciou a saída antes que o processo avançasse, em meio à perda de apoio até em seu próprio partido.

OPINIÃO

6. O fenômeno de James Talarico e mais

  • A ascendência meteórica do ex-professor de escola pública e seminarista presbiteriano James Talarico, eleito senador democrata pelo Texas, nos EUA, se deve muito ao fato de que ele “consegue se comunicar com todos, inclusive aqueles que não estão no seu campo ideológico, sem abrir mão de suas convicções, muito menos de sua fé”. O democrata pode oferecer lições a Lula, que terá que governar um país dividido, com contas públicas comprometidas e as casas legislativas com maioria da oposição, analisa a advogada e consultora do Banco Mundial Ana Sofia Monteiro Signorelli. Leia a íntegra.
  • Apesar do sucesso na mudança de estratégia nas redes ter sido um dos motivos da sua vitória, Lula deve evitar cair na armadilha de que um líder não precisa mais de intermediários para chegar ao povo, analisa o cientista político André Luiz da Silva, que destaca a importância da imprensa, dos partidos e da oposição — as mediações que transformam o social em político. “O populismo ataca justamente esse intervalo. Não promete uma democracia direta, em que o povo decide; promete uma representação direta, em que o líder diz encarnar o povo sem intermediários. A vontade de uma maioria passa a valer como a vontade de todos. Quem a contesta, seja jornalista, juiz ou parlamentar, deixa de ser interlocutor legítimo e vira obstáculo entre o líder e o ‘seu’ povo.” Leia a íntegra.
  • “Se o direito for visto exclusivamente como aquilo que chega ‘depois’ das mudanças técnicas e tecnológicas, sua função termina se resumindo à reação: identificar riscos, impor limites e corrigir, tanto quanto possível, efeitos indesejados. Quando, porém, o direito é compreendido como parte da maquinaria institucional da economia e de sua dinâmica, surge uma agenda importante, cujas perguntas são: que regras, instituições e capacidades públicas são necessárias para que uma sociedade possa inovar?”, questionam o professor de Direito da USP Diego Rosenthal Coutinho, a pesquisadora Maria Carolina Foss e o pesquisador Rafael Roberto Hage Tonetti. Leia a íntegra.