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Tarcísio ‘zerou o jogo’ com a família Bolsonaro, avaliam aliados do governador

JOTA·
Tarcísio ‘zerou o jogo’ com a família Bolsonaro, avaliam aliados do governador

Expoentes do grupo político e empresarial reunidos em torno de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) entendem que ele “zerou o jogo” na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a presidente e que, a partir de agora, uma nova fase terá início rumo às eleições de 2028 e à sucessão de Lula (PT) em 2030. Em outros termos, o governador reeleito de São Paulo teria cumprido seu compromisso eleitoral e honrado sua “dívida de gratidão” com Jair Bolsonaro (PL).

“Zerar o jogo”, a gíria dos videogames (um dos passatempos prediletos de Tarcísio) utilizada por um dos apoiadores do governador, significa dever cumprido e esgotamento de esforços máximos dentro da campanha eleitoral de Flávio no estado de São Paulo. Ou seja, Tarcísio teria feito o que estava ao seu alcance para ajudar a eleger o filho mais velho de Jair Bolsonaro, em uma demonstração de “lealdade” e “gratidão” ao ex-presidente, que o projetou para a política.

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Tarcísio “mergulhou” na campanha de Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula, na reta final do primeiro turno. O governador reeleito organizou e participou de eventos da campanha presidencial em São Paulo e em outros estados, gravou participações para o horário eleitoral de rádio e televisão e até ajudou na preparação do candidato do PL para o debate da TV Globo.

No segundo turno, Flávio obteve 53,8% dos votos válidos no estado de São Paulo, onde Lula teve 46,1%. Foi praticamente o mesmo resultado obtido pelo candidato do PL no Rio de Janeiro, base eleitoral da família Bolsonaro e onde o primogênito de Jair Bolsonaro nasceu e foi criado. 

Se não foi o resultado esperado pelo presidenciável e pelo governador em São Paulo, pois a campanha da oposição projetava uma diferença mais ampla no estado, o cômputo final, por outro lado, não pode ser considerado um fiasco no contexto da surpreendente virada que o petista empreendeu sobre o adversário em todo o país, argumentam os correligionários de Tarcísio. Lula foi reeleito com 51,7% dos votos, contra 47,2% de Flávio.

Apesar de nunca ter admitido publicamente, Tarcísio se movimentou nos bastidores para ser o candidato da oposição a presidente neste ano. No entanto, em dezembro de 2025, Jair Bolsonaro escolheu Flávio para a missão, em detrimento do governador de São Paulo, seu afilhado político.

Aconselhado a enfrentar Flávio em um espécie de prévias da oposição, Tarcísio recuou e seguiu a determinação do ex-presidente. A partir de agora, no entanto, segundo um de seus aliados ouvidos pelo JOTA, o governador manterá sua postura de jamais virar as costas para os Bolsonaros, mas sente-se livre para projetar seu futuro conforme seus interesses pessoais e de vários grupos políticos e empresariais que já o procuraram pedindo que ele seja candidato ao Planalto daqui a quatro anos.

No entanto, não deverá haver confrontação pública e muito menos rompimento com os Bolsonaros, ainda que divergências sobre posicionamentos políticos e institucionais sejam esperados para o futuro. Tarcísio, por exemplo, aconselhou Flávio a não questionar o resultado final da eleição, como o senador acabou fazendo no último domingo (25/10).

Na política, a estratégia do grupo do governador passa por manter unida no estado a ampla aliança de centro-direita formada em torno da reeleição de Tarcísio. Entre outros partidos, ele contou com o apoio do MDB, da federação União-PP, do PSD, do PSDB e do PL. 

Manter o PT isolado politicamente na esquerda é o objetivo dessa articulação.

Michelle como ‘adversária’ e permanência no Republicanos

Com a derrota de Flávio, esfriou nos bastidores a negociação para que Tarcísio troque o Republicanos pelo PL, o partido que abriga a família Bolsonaro. Esse movimento incluiria ainda o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).

No entorno de Tarcísio e de Nunes, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), casada com Jair Bolsonaro, é vista como uma “adversária em potencial” na disputa pelo direito de concorrer ao Planalto à frente da oposição a Lula.

Senadora eleita pelo Distrito Federal, Michelle é sempre lembrada para ser vice de Tarcísio em uma futura chapa ao Planalto. A ex-primeira-dama, porém, tem potencial eleitoral para encabeçar um projeto próprio, avaliam aliados do governador.