Alexandre Padilha deve permanecer no Ministério da Saúde

O discurso da vitória feito domingo pelo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a perspectiva de que Alexandre Padilha continuará à frente do Ministério da Saúde em 2027.
Além da fala de domingo, outros fatores fortalecem a premissa. Para começar, o ministro atendeu ao pedido do presidente de não concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados para participar da campanha presidencial, ficando, de certa forma, sob risco numa eventual derrota de Lula.
Além disso, Padilha conseguiu afastar, ao assumir o ministério, o clima de descontentamento entre parlamentares, provocado pela lentidão na liberação das emendas.
Este é, aliás, um dos pontos costumeiros de tensão entre quem está à frente da pasta e deputados e senadores. Nísia Trindade, por exemplo, teve sua imagem desgastada justamente por conta da falta de trânsito entre os parlamentares.
Num momento em que a relação com Congresso será ainda mais importante, ter à frente da Saúde alguém com habilidade política representaria uma garantia.
Outro aspecto que também seria levado em conta: Padilha é apontado como um nome potencial para disputar a prefeitura de São Paulo.
De acordo com esta visão, dois anos à frente da Saúde poderiam ser importantes para manter sua visibilidade, aumentando as chances numa eventual disputa do concorrido colégio eleitoral.
A informação é a de que ainda não houve uma conversa formal entre o presidente e Padilha sobre a permanência na pasta, que controla um dos maiores orçamentos da Esplanada. Mas o JOTA apurou que, dentro do ministério, a percepção é a de que ele fica. Isso não vale, contudo, para os secretários.
A expectativa é que, confirmado o nome do ministro, algumas mudanças sejam realizadas. Dois dos secretários, por questões pessoais, poderiam deixar a pasta. Braço-direito de Padilha, o secretário executivo Adriano Massuda a princípio se manteria no posto. Isso valeria também para Mozart Salles, que hoje está à frente da Secretaria de Atenção Especializada.
Canetas e preços
Este ano, duas entregas estariam previstas: o acordo de compra de medicamento de alto custo com desconto silenciado e a abertura de consulta pública para a oferta de canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde.
Padilha havia previsto inicialmente o anúncio do primeiro acordo com desconto silenciado para outubro, o que não deve ocorrer.
Com relação às canetas no SUS, a expectativa é que um debate seja realizado também para avaliar quais grupos de pacientes, além de pessoas com diabetes, poderiam ter indicação do tratamento a partir dos serviços públicos de saúde.