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‘Brasil não cabe no quintal de ninguém’, diz Lula em discurso na ONU

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‘Brasil não cabe no quintal de ninguém’, diz Lula em discurso na ONU

Durante discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22/9), o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil continuará sendo soberano e que o país “não cabe no quintal de ninguém”.

Discurso Lula 81ª Assembleia Geral da ONUreprodução Youtube Nações Unidas
Presidente afirmou que o Brasil continuará sendo um país soberano

O presidente destacou que, na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, principalmente em um contexto marcado pelo retorno do que chamou de “tentações hegemônicas”.

Lula ressaltou ainda que o Brasil precisa de parceiros que tenham uma agenda de fomento ao desenvolvimento e que diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para uma maior integração entre os vizinhos.

Interferência externa

Em seu discurso, o petista apontou que a democracia está novamente em xeque, depois de um longo caminho para restaurar a vontade popular, e em meio à interferências.

“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, reforçou.

O presidente retomou a preocupação com as tarifas impostas pelo chefe de Estado norte-americano Donald Trump. O governo federal chegou a levar o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), classificando a decisão americana como arbitrária e desprovida de fundamento jurídico.

“A OMC respira por aparelhos. Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas”, enfatizou em sua fala.

Terras raras

Em meio a um esforço do governo dos Estados Unidos pela exploração de minerais críticos e terras raras do Brasil, Lula sustentou que as “riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas”.

O acesso aos minerais, de acordo com o presidente, terá como contrapartida obrigatória a geração de valor no território brasileiro, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais.

Segundo reportagem da newsletter Noites Húngaras em parceria com o canal Amado Mundo, a Rockbridge Network, rede norte-americana que reúne empresários financiadores de políticos conservadores — e ligada à campanha de Flávio Bolsonaro —, está investindo na exploração de terras raras na Bahia.

O fundo injetou recursos na Vulcan Elements, fabricante norte-americana de ímãs de terras raras voltados principalmente aos setores de tecnologia e defesa.

A Vulcan, por sua vez, tem um acordo de fornecimento com a Energy Fuels, mineradora norte-americana que comprou, por US$ 27,5 milhões, um projeto de exploração de minerais pesados entre os municípios de Prado e Caravelas, no sul da Bahia.

Tribunal Penal Internacional

Lula também criticou Trump pelas tentativas de enfraquecer o Tribunal Penal Internacional (TPI).

“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas. Perseguir o Tribunal Penal Internacional e seus integrantes é um estímulo para que esses crimes fiquem impunes”.

O governo Trump anunciou, em 13 de julho, que irá “desmantelar sistematicamente a capacidade do TPI de operar, perseguir militares ou autoridades americanas, ou de qualquer forma ameaçar a soberania dos EUA”. Em fevereiro, Trump já havia imposto sanções a membros da corte. As medidas são uma resposta aos processos contra Israel, aliados dos EUA.

Entre as medidas em estudo pelo Departamento de Justiça estão pressões diplomáticas para que outros países deixem a corte e a ampliação de sanções e restrições de visto contra seus juízes e funcionários. O secretário de Estado, Marco Rubio, disse em vídeo que, sem uma reação, os americanos ficariam “à mercê de juízes estrangeiros” e sob risco de serem processados ou até presos “pelo suposto crime de defender o próprio país”.

Combate ao crime organizado

O líder brasileiro ressaltou uma proposta entregue a Trump para um esforço no combate ao crime organizado.

Ele afirmou que o governo não vai terceirizar a responsabilidade de defender as fronteiras e que o país não precisa “de porta-aviões vigiando nossas águas”, mas sim de ”cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime.”

Reforçou ainda a Lei Antifacção, que impõe ao crime organizado penas maiores às previstas para o terrorismo. “Crime organizado e corrupção andam juntos. O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei”, sublinhou.

Big Techs e IA

O presidente defendeu o enfrentamento ao desafio da regulamentação das big techs e da inteligência artificial e criticou os “tecno-oligarcas” que querem ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras ou transparência.

“Estão promovendo uma corrida sem freios éticos à revelia da ONU e do Painel Científico sobre Inteligência Artificial”, pontuou.

Lula voltou a repreender a indústria bilionária das BETs que, segundo ele, ao transformar vício em lucro, está endividando e destruindo lares.

Por fim, saiu em defesa do PIX e disse que o Brasil não vai ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o sistema.

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