Fachin solicita que Mendonça retire o sigilo de parte das investigações sobre o Banco Master

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, solicitou ao ministro André Mendonça, na noite desta quinta-feira (10/9), a retirada do sigilo de parte importante das investigações do Banco Master. Fachin pede que Mendonça ressalve os casos de precisem de diligências que exijam sigilo. O JOTA apurou que Mendonça irá atender o pedido nos termos feitos pelo presidente da Corte.
Fachin solicita também que Mendonça envie uma cópia em HD das investigações para a presidência do STF e os gabinetes dos demais ministros. Fachin justifica o pedido por conta da sessão extraordinária de terça-feira (15/9), em que os ministros devem definir se abrem ou não investigação sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente por fraudes no Banco Master. O pedido é para que seja retirado o sigilo da PET 15.556, na qual foi decidida a prisão de Vorcaro e que se desdobra na investigação que se chegou ao nome de Moraes. Leia a íntegra do despacho de Fachin na PET 16.704.
Nos últimos dias têm aumentado a pressão para a retirada do sigilo do Banco Master. A justificativa é que o fim do sigilo pode estancar os vazamentos seletivos da investigação em período eleitoral. Uma das vozes que engrossou esse discurso foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou a fazer esse pedido em uma rede social.
As investigações do Banco Master, controlado pelo empresário mineiro Daniel Vorcaro, começaram em 2025, por suspeitas de fraudes contábeis e um modelo de captação considerado insustentável. O banco tinha envolvimento com pelo menos 18 fundos de pensão do funcionalismo público de estados e municípios.
Em 18 de novembro de 2025, a Polícia Federal prendeu Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos, sob a alegação de que tentava deixar o país — a prisão ocorreu um dia após o anúncio de que uma holding financeira compraria o banco.
Durante as investigações, a Polícia Federal chegou a várias relações de Vorcaro com autoridades, inclusive ministros do STF, como Dias Toffoli, até então, o relator do caso. Envolto na crise, o ministro deixou o comando das investigações e, por sorteio, André Mendonça tornou-se o novo relator.
A crise se agravou quando ficou público relatório da Polícia Federal, feito a mando do ministro André Mendonça, que mostrou que o ministro Alexandre de Moraes trocou mensagens e se encontrou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente por fraudes no Banco Master.
Com os achados da PF, Mendonça pediu para o presidente do STF, Edson Fachin, abrir investigação contra o colega. Em resposta à investida de Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse que a apuração é nula porque o plenário não foi consultado sobre a investigação, conforme determina a lei.
Na sequência, Moraes também pediu a abertura de um inquérito contra Mendonça alegando “fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos. O pedido se deu no polêmico inquérito das fake news.
Pressionado pelos colegas, Palácio do Planalto e pela guerra de liminares entre ministros, o presidente do STF, Edson Fachin, tomou uma série de medidas para tentar estancar a crise na quarta-feira (9/9). Entre elas a retirada de Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news, que passa a ser gerido pela presidência, e a suspensão das liminares dos ministros André Mendonça e Flávio Dino – o primeiro afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o segundo, o reintegrou.
Fachin também marcou para o dia 15 de setembro o julgamento sobre o pedido de abertura de investigação contra Moraes pelas mensagens trocadas com o ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, e os supostos encontros.