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JOTA Principal | Aliados ainda tentam convencer Lula a comparecer ao debate da Globo

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JOTA Principal | Aliados ainda tentam convencer Lula a comparecer ao debate da Globo
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Apesar de conteúdos distribuídos nas redes e em aplicativos de mensagens terem se tornado centrais em campanhas eleitorais, há poucos momentos que ainda têm a capacidade de atrair grande audiência — durante e depois, nos mesmos cortes e vídeos curtos a serem distribuídos na internet.

Em 2022, o debate da Globo no primeiro turno teve Lula e Jair Bolsonaro como protagonistas e rendeu 34 pontos no Ibope, a maior audiência desde 2006 e o equivalente a 50 milhões de brasileiros.

Naquele encontro, as falas de Jair Bolsonaro ligando Lula e o PT ao crime organizado serviram para pautar os últimos dias antes da primeira rodada de votação, combinadas a conteúdos virais distribuídos por aliados e apoiadores do então presidente da República.

Quatro anos depois, o adversário de Lula é Flávio Bolsonaro, e o petista avalia que não vale a pena comparecer ao debate da Globo. Alas do PT ainda tentam convencer o presidente da mudar de ideia, Fabio MuraKawa escreve na nota de abertura.

A decisão de Flávio Bolsonaro de comparecer tornou a escolha mais difícil. Se for, Lula sabe que entrará no estúdio como alvo preferencial dos adversários. Se faltar, deixará o campo aberto para ataques e terá sua ausência exposta diante da audiência da maior emissora do país.

Paula Bonelli colaborou nesta edição.

Boa leitura.


O PONTO CENTRAL

1. Só na memória

Lula disse à cúpula de sua campanha que não pretende participar do debate da Globo, marcado para amanhã (1º), Fabio MuraKawa escreve no JOTA.

  • Uma ala da campanha ainda tenta convencê-lo a mudar de ideia, e uma nova rodada de conversas marcada para ontem (29) serviria para bater o martelo.

🎥 Panorama: Lula tem argumentado que, no formato atual dos debates, seria alvo de todos os adversários e teria pouco tempo para responder.

  • Também considera que os encontros dão margem excessiva a ataques pessoais e à produção de cortes para as redes sociais, enquanto oferecem pouco espaço para uma discussão mais aprofundada.
  • O presidente do PT, Edinho Silva, vocalizou parte desse raciocínio, mas seus argumentos reproduzem a avaliação feita pelo próprio Lula nas conversas internas.

A decisão de Flávio Bolsonaro de comparecer tornou a escolha mais difícil.

  • Se for, Lula sabe que entrará no estúdio como alvo preferencial dos adversários.
  • Além de Flávio, estarão presentes Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) — ambos tidos como possíveis ministeriáveis de Flávio.
  • Com chances quase zeradas de avançar ao segundo turno, dificilmente a dupla partirá para o ataque contra o filho de Jair Bolsonaro.
  • Nesse contexto, a possibilidade de a dupla servir como linha auxiliar do candidato do PL é gigantesca.

Se Lula faltar, por outro lado, deixará o campo aberto para ataques e terá sua ausência exposta diante da audiência da maior emissora do país.

  • Em 2022, o último debate da Globo antes do primeiro turno alcançou cerca de 50 milhões de pessoas.
  • O grupo liderado por Sidônio Palmeira, ministro da Secom, pensa que o prejuízo eleitoral da cadeira vazia no estúdio da maior emissora do Brasil pode ser enorme.
  • Em contraposição, uma outra ala avalia que o custo da ausência tende a ser limitado e que o risco maior está no palco.
  • Uma gafe, uma frase mal colocada ou uma reação ruim pode ganhar enorme repercussão a apenas três dias da votação.

⏩ Pela frente: Se Lula mantiver a decisão de faltar, a campanha discute um plano B para reduzir o espaço deixado aos adversários.

  • Uma das alternativas é colocar o presidente, no mesmo horário, em um podcast de grande audiência.
  • A escolha do programa ainda estava em discussão.

2. O cofre da Viúva

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti / Crédito: Marina Uezima/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

As medidas adotadas por Lula nas últimas semanas intensificaram problemas para o Orçamento a partir de 2027, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.

Por que importa: A proposta enviada ao Congresso em agosto agora está com despesas subestimadas, que se juntam a uma estimativa de arrecadação em xeque devido à desaceleração da economia.

  • Além disso, o cenário eleitoral e a polarização política tornam incerto o timing de iniciativas que poderiam contribuir para as receitas.
  • O governo ainda não enviou a proposta de alíquota de cobrança do Imposto Seletivo em meio ao receio de impopularidade, colocando em dúvida a cobrança em janeiro de 2027.
  • Integrantes da equipe econômica consideram difícil enviar ainda neste ano a tributação de instrumentos isentos (como LCI e LCA).

Como resultado, o próximo eleito terá que lidar, no primeiro ano de governo, com uma série de problemas que terá de ajustar ou acomodar nas contas de 2027.

  • O conjunto torna mais trabalhoso cumprir o centro da meta fiscal de 2027 — um superávit de R$ 73,2 bilhões, o equivalente a 0,5% do PIB.
  • Na proposta enviada ao Congresso, há uma gordura de apenas R$ 10,1 bilhões para alcançar o núcleo da meta.
  • A fatura surgida após o documento ser apresentado já é maior e corre o risco de crescer ainda mais.

💸 Panorama: O desequilíbrio foi agravado com o reajuste do Bolsa Família (adicionando R$ 22,7 bilhões em gastos no ano que vem), a proibição das bets (tirando R$ 5,2 bilhões em arrecadação em 2027) e o novo Desenrola (com custo de R$ 5 bilhões no próximo exercício).

  • Somadas, as medidas já demandam R$ 32,9 bilhões em ajustes necessários na proposta orçamentária.
  • O ministro do Planejamento, Bruno Moretti (foto), afirmou nos últimos dias que parte desse impacto deve ser absorvida por uma sobra de R$ 6 bilhões nos dispêndios previstos com o próprio Bolsa Família, embora isso só resolva 18% da conta.

A maior dor de cabeça para o próximo eleito, no entanto, é outra.

  • Uma das principais necessidades de ajuste pode ser ocasionada pela revisão das receitas, devido à desaceleração da atividade.
  • A equipe econômica considerou na proposta orçamentária que o PIB avançaria 2,27% em 2026 e 2,46% em 2027.
  • Os percentuais estão acima do que o próprio governo passou a estimar em setembro no Boletim Macrofiscal, com avanço de 2,0% em 2026 e 2,3% em 2027.
  • Também estão muito acima do que o mercado vem calculando (1,86% em 2026 e 1,41% em 2027, de acordo com o boletim Focus).

3. Há vagas

Trabalhador do serviço de limpeza na rodoviária de Brasília / Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O mercado de trabalho brasileiro abriu 165.827 postos de trabalho com carteira assinada em agosto, superando a expectativa do mercado, Luísa Carvalho registra no JOTA.

  • Analistas projetavam de 80 mil a 100 mil novos postos.
  • O resultado mostrou uma forte aceleração, quase o triplo de julho, quando foram criadas 55.915 vagas.
  • Os dados do Novo Caged foram divulgados ontem (29) pelo Ministério do Trabalho.

🔮O que observar: O setor de serviços liderou com folga a geração de vagas, sendo responsável por 110.346 novos postos em áreas como educação, saúde humana e transportes.

  • Em seguida, a construção garantiu 20.848 novos empregos, puxada por obras de infraestrutura e serviços especializados.
  • A indústria adicionou 16.613 postos, o comércio registrou 16.565 e a agropecuária somou 1.452 contratações.

No recorte por estados, São Paulo liderou o ranking de contratações, seguido de perto por Rio de Janeiro e Pernambuco.

  • Na contramão, apenas três estados fecharam vagas no mês: Rondônia, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.
  • Os jovens de até 24 anos dominaram 129 mil postos — isso significa que a maioria das contratações foi para quem está no primeiro emprego e vagas de menor exigência de experiência.

4. Assédio eleitoral

O presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho / Crédito: Fellipe Sampaio/TST

A falta de provas é o principal entrave para quem denuncia assédio eleitoral na Justiça do Trabalho, Adriana Aguiar escreve no JOTA PRO Trabalhista.

🔭 Panorama: De 59 casos decididos por sentença, os juízes só aceitaram o assédio em 18 casos, sendo que as outras 41 decisões foram contra os trabalhadores e 31 caíram por falta de provas.

  • Os dados são de um novo estudo da Justiça do Trabalho divulgado às vésperas das eleições.
  • O estudo analisou 138 processos distribuídos entre 2023 e 2025.
  • Além da falta de documentos, os juízes relatam dificuldade para distinguir a simples manifestação política do ato efetivamente coercitivo.

O WhatsApp está em 37% das ações.

  • São mensagens em grupos de trabalho, áudios de chefes e correntes com orientação de voto.
  • Redes como Facebook e Instagram respondem por 14,5%.

As táticas de assédio costumam se misturar, mas o terror psicológico lidera com folga.

  • Funciona na base do medo, com chefes prevendo demissões ou a falência da empresa se o rival vencer.
  • Há também chantagens financeiras como ameaças de cortes no salário.

Acesse a íntegra do estudo.


5. Também nas redes

Ação da Prefeitura do Rio de Janeiro retira publicidade de casa de apostas / Crédito: Prefeitura do Rio de Janeiro/Divulgação

O governo federal apertou o cerco para as plataformas digitais retirarem do ar publicidades de bets, Karol Bandeira escreve no JOTA PRO Tecnologia.

  • O prazo final para que as empresas cumpram a determinação é até 8 de outubro.

🔭 Panorama: Oito big techs já foram notificadas para a remoção: Google, Discord, Meta, YouTube, X, Telegram, TikTok e Kwai.

  • O Executivo pediu ainda o bloqueio de 5,2 mil sites à Anatel e exigiu que a Meta derrube mais de 2,3 mil perfis no Instagram e Facebook.
  • No Telegram, o foco está em canais que somam mais de 1 milhão de membros.
  • A ofensiva também chegou aos celulares: Apple e Google foram notificadas para remover 186 aplicativos de bets de suas lojas.

O governo e a Anatel informaram em coletiva nesta terça (29) que vão chamar instituições financeiras que operam com as bets para conversar.

  • Segundo Carlos de Resende, diretor da Secretaria de Prêmios e Apostas, o setor tem falhado na fiscalização.
  • “Se uma instituição financeira vê que uma padaria recebe valores de joguinhos, de tigrinhos, ela tem a obrigação de encerrar a conta e comunicar aos órgãos. Parece que isso não tem acontecido”, afirmou.
  • O governo acionou o Banco Central após mapear 63 empresas suspeitas e abriu processos na Senacon.

6. ‘Só a economia pode resolver’

André Corrêa do Lago no evento JOTA Global, em Nova York / Crédito: O Zhang/JOTA

A emergência climática deixou de ser vista apenas como uma pauta ambiental e se tornou sobretudo uma questão econômica.

Foi essa a visão exposta pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, durante a primeira edição do JOTA Global, em Nova York, Victoria Lacerda escreve no JOTA.

  • O evento reuniu na última quarta (23) tomadores de decisão brasileiros e líderes globais para discutir temas da pauta internacional, durante a semana da Assembleia Geral da ONU e da Climate Week.

🔭 Panorama: Corrêa do Lago falou da mudança de foco da presidência brasileira da conferência climática, que agora se concentra na implementação de decisões já aprovadas por consenso, em vez de seguir negociando novos acordos.

  • Segundo o diplomata, esse é um resultado inédito da COP30, realizada em Belém no ano passado.
  • “Sim, de alguma forma, eu me sinto otimista, mas um otimista realista”, disse Corrêa do Lago, ao ser questionado sobre sua confiança na capacidade de resposta global à crise climática, em um cenário geopolítico marcado pela saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris.
  • O presidente da COP30 afirmou que a mudança climática começou como uma questão meteorológica, depois se tornou uma questão ambiental e hoje é uma questão econômica.
  • “Só a economia pode resolver a crise climática.”
  • Corrêa do Lago defendeu que é necessário resgatar a confiança na capacidade de mitigação significativa das emissões, sem abrir mão da adaptação às mudanças em curso.