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JOTA Principal | Na reta final do 1º turno, Lula e Flávio disputam indecisos com uso da máquina e acusações

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JOTA Principal | Na reta final do 1º turno, Lula e Flávio disputam indecisos com uso da máquina e acusações
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Lula e Flávio Bolsonaro entram na última semana de uma campanha eleitoral marcada pela crise do Master, a guerra entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o desalento expressado pelos eleitores nas pesquisas de intenção.

Nesses últimos dias antes do primeiro turno, as campanhas afinam suas estratégias para tentar atrair os eleitores indecisos. O foco de ambas será o Sudeste, considerado definidor na disputa.

Com o anúncio do aumento do Bolsa Família e a proibição das bets, Lula entra na reta final com a máquina pública atuando a todo vapor em consonância com os interesses do PT.

Já o presidenciável do PL acusa o adversário de estelionato eleitoral — sem entrar no mérito das medidas de apelo popular — e integrantes da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) de atuar junto com petistas para espalhar desinformação.

Lula e Flávio Bolsonaro podem se encontrar frente a frente na quinta-feira (1º), para quando está marcado o debate da Globo, ainda sem confirmação da participação dos dois.

Paula Bonelli colaborou nesta edição.

Boa leitura e boa semana.


O PONTO CENTRAL

1. Máquina a todo vapor

Com a reeleição sob forte risco, Lula intensificou o uso da máquina federal e do peso da caneta presidencial para tentar conter o avanço de Flávio Bolsonaro, Marianna Holanda e Fabio MuraKawa escrevem no JOTA PRO Poder.

💸 Panorama: Após duas semanas de contaminação da agenda eleitoral pela crise do Supremo, a campanha petista teve dias de fôlego.

  • Os novos valores do Bolsa Família começam a ser pagos em 19 de outubro, a uma semana do segundo turno.
  • A medida, segundo integrantes da campanha do PL, interrompeu o crescimento de Flávio nos trackings, mas ele segue estabilizado num alto patamar.
  • Na semana passada, o presidente lançou mão da proibição total de bets no país — algo que já defendia há meses em reservado, mas tinha resistência da Fazenda sob argumentos de arrecadação e insegurança jurídica.
  • Falaram mais alto os índices de pesquisa que apontavam que a maioria da população é favorável à medida, cerca de 75% segundo levantamento da Atlas/Bloomberg.

O Desenrola 3 completa esse movimento.

  • A nova rodada do programa volta a mirar famílias endividadas, com renegociação de débitos e mudanças nas condições de crédito, reforçando a tentativa de chegar à reta final falando diretamente ao bolso do eleitor.

A preocupação no entorno de Lula é também recuperar terreno entre beneficiários de programas sociais e responder à percepção de perda de poder de compra acumulada nos últimos anos.

  • Depois de passar praticamente todo o terceiro mandato sem reajustar o piso de R$ 600, o presidente decidiu fazê-lo justamente quando a disputa pela reeleição entrou em sua fase mais apertada.
  • A concentração dessas medidas na reta final mostra o grau de preocupação do governo diante de uma eleição que, a poucos dias das urnas, permanece aberta.
  • As medidas representam uma estratégia de Lula para retomar parcelas de um eleitorado que perdeu nos últimos meses para Flávio.

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2. ‘Mentira não se combate com mentira’

Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro no rodeio de Jaguariúna (SP), na noite de sábado (26/9) / Crédito: Leco Viana/The News 2/Estadão Conteúdo

Na oposição, cabe a Flávio Bolsonaro criticar Lula — a quem chamou de “pai do Tigrinho” — e classificar as medidas como estelionato eleitoral, impossibilitado de criticá-las no mérito sem perder votos, Holanda e MuraKawa prosseguem na análise.

✈️ Panorama: Nos quase dois meses de campanha, Flávio conseguiu navegar mares mais tranquilos que os de seu adversário e até que os dele próprio no primeiro semestre do ano.

  • Nos próximos dias sua resiliência será testada, sob a expectativa de novos vazamentos do celular de Daniel Vorcaro.
  • Na semana passada vieram a público informações sobre viagens do senador em jatinho ligado ao ex-banqueiro, o mesmo modelo usado pelo ministro Alexandre de Moraes.
  • Flávio diz não ter como saber que Vorcaro era um dos donos do jatinho, no qual voou com o amigo e advogado Willer Tomaz, então sócio do ex-banqueiro no empreendimento.
  • Mas a expectativa na campanha é de que novos vazamentos do mesmo tipo continuem acontecendo ao longo da semana.

Manifestações de representantes da Igreja Católica sobre eleições, democracia e soberania nacional foram amplamente divulgadas nas redes e aqueceram ainda mais o debate religioso.

  • O tema da religião, que já estava em alta, passou a preocupar o estafe da campanha de Flávio.
  • A novidade é o que parece ser um movimento coordenado de líderes e fiéis católicos em sintonia com temas levantados pela campanha de Lula, Beto Bombig e Julia Teixeira escrevem no JOTA.
  • Em meio à onda, viralizaram publicações alegando que Flávio pretenderia tirar Nossa Senhora de Aparecida da condição de padroeira do Brasil, o que a campanha classifica como fake news.

Ontem (27), o candidato do PL disse que houve conluio entre petistas e membros da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) para disseminar a desinformação, registra o g1 (sem paywall).

  • “A maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento pra tirar ela de ser padroeira do Brasil, jamais existia, não tem projeto, não tem nada”, disse.
  • “O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente, essa é a realidade.”
  • Em nota, a CNBB afirmou que “não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”.
  • “Mentira não se combate com outra mentira”, completa o texto.

3. E o debate da Globo?

Os púlpitos vazios de Lula e Flávio Bolsonaro no debate da Band / Crédito: Guilherme Rodrigues/Band – 23.ago.2026

A presença dos dois candidatos com maior intenção de votos nas pesquisas é incerta no último debate eleitoral antes do primeiro turno, marcado para quinta-feira (1º).

  • Aliados de Lula divergem sobre qual a melhor estratégia, enquanto Flávio mantém a postura de só comparecer caso o presidente confirme participação.

A Globo restringiu os convites a apenas quatro candidatos, seguindo a regra de participação daqueles com ao menos cinco parlamentares em 2022.

  • Além de Lula e Flávio, apenas Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) foram chamados.
  • O presidenciável do Missão, Renan Santos, protestou contra a decisão, afirmando que o recorte “reduz o espaço para novas forças políticas”.

4. Por onde andou

Lula em evento de campanha em Montes Claros (MG) / Crédito: Ricardo Stuckert/Divulgação

Em busca da reeleição, Lula foca nos grandes colégios eleitorais, redutos petistas e estados onde a disputa está mais acirrada, Luísa Carvalho escreve no JOTA.

  • Faltando 10 dias para o primeiro turno, Lula ainda não tinha visitado 14 das 27 unidades da Federação.
  • Metade dos eventos eleitorais ficou concentrada na região Sudeste, com repetições no itinerário — São Paulo, Minas e Rio, os estados com mais eleitores, receberam três agendas cada.
  • No Nordeste, o candidato à reeleição esteve cinco vezes.
  • O percurso incluiu territórios adversos ao petista: São José do Rio Preto (SP), Curitiba e Distrito Federal.
  • No segundo turno de 2022, Jair Bolsonaro venceu em 10 das 16 cidades visitadas pelo presidente até agora.

♟️ A estratégia: Lula aproveitou o roteiro para estruturar palanques estaduais e impulsionar aliados ao Senado.

  • O presidente dividiu o palco com nomes do PSD (como Eduardo Paes, Pedro Paulo e Júlio César), mesmo com a candidatura própria do partido com Ronaldo Caiado à Presidência, além de aliados do MDB, PDT, PSB, PSOL e Rede.
  • Nos discursos, os temas centrais se repetiram: soberania nacional, críticas à ingerência dos Estados Unidos e à família Bolsonaro.

⏩ Pela frente: A reta final deve ampliar esse mapa, mas sem mudar sua lógica.

  • Hoje (28), o presidente visita Manaus e Belém.
  • Amanhã (29) passará por Fortaleza e Feira de Santana (BA).
  • Na sexta (2), vai a Belo Horizonte e Rio de Janeiro…
  • …e encerra a campanha em São Paulo, no sábado (3), véspera da eleição.

5. Internet geral

Idoso mexe no celular na rodoviária de Brasília / Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O STF terá que decidir se a Anatel deve liberar internet ilimitada no período de 72 horas anteriores e 24 horas posteriores do 1º e do 2º turno das eleições, Flávia Maia registra no JOTA.

  • A ação é do Partido Verde e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, com pedido de liminar devido à proximidade do pleito no próximo domingo (4).

Por que importa: A petição argumenta que o desbloqueio protege os eleitores da “vulnerabilidade informacional” na “janela crítica” do pleito.

  • O relator do caso, Cristiano Zanin, deu 48 horas para que a Anatel preste esclarecimentos técnicos e orçamentários.
  • TSE, PGR, AGU e Comitê Gestor da Internet também foram instados a se manifestar.
  • Com 66% dos brasileiros no pré-pago, a petição alega que o bloqueio de dados impede o acesso a portais de notícias e deixa o eleitor à mercê das redes sociais.
  • Essas plataformas, segundo a ação, contam com “mecanismos eficientes para a interferência e a manipulação do discurso e do debate público”.

AGENDA BSB

6. Indicadores do BC e mais

  • O Banco Central atualiza nesta semana uma série de indicadores econômicos, como o relatório da situação do crédito no país. A autarquia prevê publicar o documento amanhã (29), em meio a preocupações sobre o comprometimento de renda da população com dívidas.O tema do endividamento ganhou espaço na campanha eleitoral. Lula já lançou diferentes edições do Desenrola e tem criticado a facilidade de acesso ao cartão de crédito, incentivado pelos bancos, enquanto Flávio Bolsonaro insiste que a população está endividada e com o poder de compra corroído.

    O BC também apresenta hoje (28) as estatísticas do setor externo, e, na quarta (30), as estatísticas fiscais, que medem o nível de endividamento do país em proporção ao PIB.

  • O governo apresenta amanhã (29) o resultado do Tesouro Nacional referente a agosto. A previsão do mercado é de um novo déficit do governo central no mês, de R$ 16 bilhões.O resultado é publicado em meio à piora nas projeções oficiais para as contas públicas. A previsão do governo para 2026 passou de um déficit efetivo de R$ 52 bilhões há dois meses para um rombo de R$ 80,9 bilhões agora, o equivalente a 0,59% do PIB.

    Com o contingenciamento de R$ 13 bilhões anunciado neste mês, o déficit efetivo ficaria em 0,49% do PIB. O valor já é pior do que os 0,48% registrados em 2025, mas ainda há pressões como uma possível queda de receitas por efeito de um PIB potencialmente superestimado (o governo considera crescimento de 2,02%, mas o mercado projeta 1,88%).

    Antes disso, nesta segunda (28), o Tesouro publica o relatório mensal da dívida pública. O documento vai atualizar como anda o apetite do mercado pelos diferentes tipos de títulos públicos em meio ao cenário eleitoral.

  • A regulamentação do regime especial para data centers deve ser feita hoje (28), conforme sinalizou o JOTA na semana passada. A definição sobre a pauta do gás natural como um dos insumos que pode ser usado para a geração de energia — e as possíveis condições de compensação das emissões para que empreendimentos possam acessar os benefícios — devem ser discutidas até os últimos momentos.
  • O debate sobre a aplicação do Estatuto do Idoso em contratos de plano de saúde firmados antes da vigência da norma voltou à pauta do plenário do Supremo Tribunal Federal. O caso é um dos mais importantes para a saúde suplementar na Corte. A análise é feita na ADC 90 e no RE 630.852.Há três correntes de posicionamentos: quatro votos são a favor das operadoras (pela não aplicação do Estatuto do Idoso aos contratos anteriores a 2003); um voto a favor dos beneficiários de planos de saúde; e outro voto entendendo que o Estatuto do Idoso pode ser aplicado aos contratos firmados antes de sua vigência, desde que tenham sido renovados após sua entrada em vigor. Há propostas apresentadas para modulação de efeitos da decisão.
  • O Supremo deve julgar na quarta (30) a inclusão de créditos presumidos de ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. É possível, contudo, que a análise se dê no dia 1º de outubro, visto que o processo é o quinto item da ordem de julgamentos.A LDO de 2026 prevê um risco calculado em R$ 16,5 bilhões em cinco anos em caso de derrota à União.

    O caso está suspenso desde 2023 por um pedido de destaque do ministro Gilmar Mendes, que zerou o placar do julgamento. Antes disso, o placar estava em 6 a 5 para excluir os créditos presumidos de ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. A contagem de votos será reiniciada. Serão mantidos os votos dos ministros aposentados Marco Aurélio Mello, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski e Luís Roberto Barroso, favoráveis aos contribuintes.

  • A Corte também deve decidir na quarta (30) sobre a ADI 5.161, que trata da possibilidade de empresas com débitos tributários serem impedidas de distribuir lucros a acionistas, sócios e outros membros. O julgamento foi concluído no plenário virtual em junho, mas, diante da ausência de maioria em torno de uma única tese, os ministros terão de definir um voto médio para a redação do acórdão.A proposta com mais aderência é do ministro Cristiano Zanin. Para ele, a regra é constitucional, mas a multa só pode ser aplicada quando três requisitos estiverem presentes: o crédito tributário estiver definitivamente constituído e inscrito em dívida ativa da União, a exigibilidade do crédito não estiver suspensa e o débito não estiver garantido. Os ministros Dias Toffoli, Edson Fachin, André Mendonça e Gilmar Mendes acompanharam.
  • O ministro Vieira de Mello Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho, agendou para amanhã (29) o julgamento do dissídio coletivo para decidir o impasse da Caixa com os trabalhadores da categoria. A relatoria do dissídio coletivo de greve do banco está com o ministro Maurício Godinho Delgado. Os trabalhadores estão paralisados desde o dia 10 de setembro.O principal impasse está no plano de saúde dos bancários. Na proposta rejeitada, a instituição financeira propôs ampliar de 6,5% para 9% o limite de participação no custeio do Saúde Caixa a partir de 2027.

    Na quinta (24), a Caixa ajuizou o dissídio coletivo no TST após não conseguir chegar a um acordo com os trabalhadores, mesmo após uma mediação pré-processual realizada na Corte trabalhista a pedido do Ministério Público do Trabalho.