Lula chega a 42% e amplia distância sobre Flávio, que tem 37%, diz última BTG/Nexus

A 16ª rodada da BTG/Nexus, a última antes do primeiro turno, mostra uma mudança no cenário eleitoral a uma semana do primeiro turno: Lula (PT) amplia a vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, enquanto o confronto direto permanece tecnicamente empatado. O movimento vem acompanhado de melhora nos indicadores de potencial de voto do presidente, redução de sua rejeição e avanço do otimismo econômico.
O levantamento também revela uma eleição com elevado grau de cristalização do voto, forte componente de rejeição entre os eleitores dos dois principais candidatos e diferenças importantes no comportamento de católicos e evangélicos.
Lula ampliou de três para cinco pontos percentuais sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno. O presidente avançou de 40% para 42%, enquanto o senador permaneceu em 37%.
Na pesquisa espontânea, Lula aparece com uma distância ainda maior: 41%, ante 35% de Flávio. Os dois oscilaram um ponto para cima em relação à rodada anterior.
O resultado reforça a liderança do presidente no primeiro turno, mas não aponta para uma vitória antecipada. Nos votos válidos, o presidente tem 44%, ainda abaixo dos 50% mais um necessários para vencer no primeiro turno.
Os resultados da pesquisa não mostram uma transferência generalizada de votos para o senador nem uma mudança significativa no conjunto dos demais candidatos, que somam 16%.
No 2º turno, Lula abre dois pontos
Lula manteve os 46% da rodada anterior, enquanto Flávio recuou de 45% para 44% no segundo turno. A diferença de dois pontos é a maior registrada entre os dois desde 17 de agosto, segundo o relatório. Apesar da oscilação favorável ao presidente, a disputa segue empatada na margem de erro.
O dado relevante é que a melhora no primeiro turno ainda não se converteu em uma vantagem expressiva no confronto direto. O segundo turno segue como uma disputa aberta, com os dois candidatos concentrando praticamente todo o eleitorado que declara preferência por um nome.
Religião aparece como um dos principais eixos da movimentação eleitoral
O levantamento aponta mudanças importantes nos segmentos religiosos, em meio à repercussão da polêmica envolvendo a Padroeira do Brasil e à decisão do governo de proibir as apostas esportivas. A vantagem de Flávio entre evangélicos continua relevante, mas ficou menor, enquanto Lula ampliou sua vantagem entre católicos.
Entre os católicos, a vantagem de Lula avançou de 20 para 24 pontos. Entre os evangélicos, a liderança de Flávio caiu de 25 para 19 pontos.
O resultado sugere uma redução da distância entre os candidatos no eleitorado evangélico e um avanço do presidente entre os católicos. Mas não é possível determinar se o movimento é uma tendência e se vai persistir até a votação.
Voto mais cristalizado da série histórica
A pesquisa registra o maior patamar de certeza na decisão de voto desde o início da série: 87% dos eleitores que escolheram um candidato afirmam que não mudarão mais de voto.
Entre os eleitores de Lula, a certeza chega a 92%. Entre os eleitores de Flávio, o índice é de 91%.
A disputa pelo voto útil pode beneficiar os dois principais candidatos, mas o universo disponível é limitado. Para alterar decisivamente o resultado do primeiro turno, seria necessário que essa movimentação fosse intensa e concentrada em apenas um dos polos.
Lula melhora o potencial de voto e reduz a rejeição
A rodada também registra uma melhora nos indicadores de potencial de voto do presidente, enquanto Flávio apresenta estabilidade ou ligeira piora.
O potencial de voto de Lula avançou de 49% para 50%, e sua rejeição caiu de 49% para 48%. Flávio manteve potencial de 47%, enquanto sua rejeição subiu de 50% para 51%.
A diferença entre os dois candidatos também aparece na sobreposição das preferências: 44% dos eleitores aceitam votar em Lula e rejeitam Flávio, ante 41% que apresentam o comportamento inverso.
Otimismo com a economia cresce às vésperas da eleição
O otimismo com a economia avançou dez pontos percentuais em três semanas, de 36% para 46%. No mesmo período, a proporção dos que esperam piora caiu de 29% para 19%, o menor patamar da série histórica.
O dado merece atenção porque ocorre na reta final da campanha e pode afetar a avaliação do governo e a percepção sobre a situação econômica do país.
A Nexus entrevistou, por telefone, 2.000 pessoas entre 25 e 27 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número TSE BR-07557/2026.
Agregador do JOTA
Assinantes do JOTA PRO Poder recebem periodicamente nestas eleições os dados do agregador de pesquisas do JOTA, a ferramenta mais precisa do mercado e que acertou os resultados das últimas eleições. Entre as informações trazidas está a probabilidade de o presidente Lula se reeleger — na última semana o índice estava em 72%.