Lula x Flávio: preferência e rejeição deixam eleição em aberto, diz Globo/Quaest

A pesquisa Globo/Quaest divulgada nesta segunda-feira (14/9) mostra persistência do empate na margem no segundo turno, mas com Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula (PT) pela primeira vez desde abril: 42% a 40%. É uma reversão em relação às rodadas de agosto, quando Lula aparecia na frente. A vantagem de Flávio, embora esteja dentro da margem de erro, marca uma mudança na fotografia da disputa.
No primeiro turno, Lula lidera com 36% das intenções de voto, contra 31% de Flávio. A vantagem, porém, diminuiu em relação ao levantamento anterior. Em 7 de setembro, Lula também tinha 36%, enquanto Flávio aparecia com 29%. O candidato do PL oscilou dois pontos para cima e reduziu de 7 para 5 pontos a distância para o petista.
O escritor Augusto Cury (Avante) oscilou de 8% para 7%, mas manteve a terceira posição. Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem com 4% cada, enquanto Romeu Zema (Novo) registra 1%. Outros candidatos não pontuaram. Indecisos somam 10%, e 7% afirmam que votarão em branco, nulo ou não irão votar.
Pelos dados da consultoria, dois movimentos ajudam a entender a força de Flávio Bolsonaro. Entre as mulheres, grupo historicamente mais resistente ao bolsonarismo, Flávio reduziu de 12 para 3 pontos a distância para Lula, que ainda lidera por 41% a 38%. No Sudeste, porém, o movimento é oposto: a vantagem de Lula, que já chegou a ser de apenas 2 pontos, agora alcança 16 pontos. A combinação mostra que o avanço de Flávio no agregado nacional não é homogêneo. Há ganhos importantes em determinados segmentos, enquanto Lula preserva ou amplia sua vantagem em outros, especialmente em uma região decisiva pelo peso eleitoral.
A popularidade do governo ajuda a completar esse quadro. A desaprovação permanece em 50%, contra 43% de aprovação, praticamente sem alteração. Ao mesmo tempo, há forte conversão da avaliação em voto: 93% dos que aprovam o governo também declaram intenção de votar em Lula. O dado sugere que o presidente mantém alta capacidade de transformar sua base de aprovação em apoio eleitoral, mas enfrenta um teto mais estreito entre os eleitores que avaliam negativamente sua gestão.
Outro indicador reforça a simetria crescente entre os dois polos. O medo da continuidade do governo Lula subiu de 38% para 44% desde julho, enquanto o temor de um retorno dos Bolsonaro recuou de 48% para 42%. Os dois índices agora se encontram no mesmo patamar.
O movimento ajuda a explicar por que a disputa de segundo turno permanece tão apertada. Lula e Flávio chegam à reta final da fotografia separados menos pela força de seus próprios eleitorados do que pela rejeição que cada polo provoca no eleitorado adversário. É esse equilíbrio entre preferência e rejeição que mantém o segundo turno em aberto. No limite, o Brasil caminha para eleger um presidente que terá contra si a outra metade do país.
A Quaest realizou 2.004 entrevistas entre sexta-feira (11/9) e domingo (13/9). A pesquisa foi contratada pelo jornal O Globo e pela TV Globo. Tem margem de erro de dois pontos percentuais e índice de confiança de 95%. Está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03607/2026.