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O que diz a investigação que levou Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil?

JOTA·
O que diz a investigação que levou Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil?

Na carta enviada aos brasileiros por Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (28/10), ele diz que fugiu do Brasil para os Estados Unidos após Alexandre de Moraes tentar “sequestrar” seus passaportes. Derrotado nas urnas, o filho 01 tem duas investigações tramitando no  Supremo Tribunal Federal (STF): uma relatada por Moraes e outra por André Mendonça.

Como o JOTA revelou, a de André Mendonça está em andamento desde julho para investigar o financiamento do filme Dark Horse, em que ele pede cerca de R$ 134 milhões para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mas não foi esse inquérito que assustou Flávio e o levou a deixar o Brasil. Ele passou a se preocupar com a investigação que está nas mãos de Alexandre de Moraes desde 16 de outubro e apura a existência de uma estrutura de fraudes e lavagem de dinheiro criada pelo advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro. A investigação aponta movimentação atípica de R$ 130 milhões em um curto espaço de tempo em contas ligadas a Willer.

Flávio Bolsonaro alega perseguição política de Moraes, mas há algo que ele não detalha: o relatório de 84 páginas apresentado pela Polícia Federal que traz indícios de sua possível ligação com um esquema financeiro irregular montado por Willer, que pode incriminá-lo. A PF produziu o relatório baseado em dados da nuvem do celular do advogado, em relatórios do Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e documentos abertos de tribunais.

Reportagem do Jornal O Globo teve acesso aos relatórios do Coaf que apontam operações financeiras atípicas e incompatíveis com a renda do senador, como o recebimento de R$ 520 mil de um escritório de advocacia para quitar antecipadamente o financiamento da mansão adquirida por Flávio em Brasília.

Segundo a PF, a investigação contra Willer se dá em dois eixos principais: a circulação de valores por pessoas físicas, empresas, instituições de pagamento e plataformas de apostas; e a atuação em processos de elevado interesse econômico, com acesso antecipado a documentos e interlocução sobre pareceres entre Willer e um assessor do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e com um membro no Ministério Público.

Neste ponto da apuração, Flávio aparece no primeiro eixo. O relatório da PF diz que entre os vínculos de Willer que merecem “especial atenção” está “aquele relacionado ao senador Flávio Bolsonaro”. No documento, há fotos em situações de intimidade como em festas, bebendo vinho e Flávio Bolsonaro sem camisa próximo a uma piscina.

De acordo com a PF, Flávio Bolsonaro era usuário “master” de uma conta bancária de uma das empresas de Willer, a Alcazar Holding. Esse acesso cessou em 2025, o que, na visão da PF, deixa clara a condição de usuário do senador. “Esse elemento, analisado em conjunto com os demais vínculos identificados, sustenta a hipótese de eventual participação econômica ou societária de fato na empresa”, diz a PF.

A PF também chama a atenção que a Alcazar é dona de outras empresas ligadas a Willer, inclusive investigadas no caso do Banco Master. A PF cita uma reportagem da revista Veja que mostra que uma dessas empresas teria sido responsável por pagamentos do contrato firmado com o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

A apuração policial diz que outro ponto que “merece destaque” é a utilização, por Willer, do aplicativo Confide, plataforma voltada à comunicação privada e efêmera entre ele e Flávio Bolsonaro.

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A investigação também chega próxima a aliados de Flávio Bolsonaro, como Alexandre Ramagem e Cláudio Castro. Assim como Flávio, Ramagem, ex-diretor da Abin, também fugiu para os Estados Unidos para não cumprir a condenação por tentativa de golpe de Estado. Segundo o documento, Ramagem teria recebido valores de Willer.

A PF também alega proximidade de Willer com o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro e possível favorecimento em uma licitação da prestação de serviço de uma empresa de Willer na Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). A PF também questiona os valores de transações em bets pela mãe de Willer.

Respostas de Willer

Em suas redes sociais, Willer, que também está fora do Brasil, contesta o teor do relatório da PF, Segundo ele, Flávio Bolsonaro nunca foi usuário Master da conta da Alcazar. “Flávio nunca teve sociedade comigo. Nossa relação é de amizade e amizade não é crime”, diz um trecho. Para ele, a investigação se trata de uma “pesca predatória”