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Pesquisa clínica no Brasil: janela histórica para transformar potencial em impacto real

JOTA·
Pesquisa clínica no Brasil: janela histórica para transformar potencial em impacto real

O Brasil vive um dos momentos mais promissores de sua história recente em pesquisa clínica. Depois de anos discutindo como tornar o país mais competitivo na atração de estudos globais, começamos a ver uma combinação rara entre avanço regulatório, capacidade científica instalada e maior maturidade do ecossistema de saúde.

A Lei 14.874/2024, a regulamentação do tema e as novas diretrizes da Anvisa trouxeram mais previsibilidade, prazos mais curtos e alinhamento com práticas internacionais, condições essenciais para que o Brasil deixe de ser apenas um mercado relevante e passe a ser também um protagonista no desenvolvimento de novas terapias. [1][2]

Com notícias da Anvisa e da ANS, o JOTA PRO Saúde entrega previsibilidade e transparência para empresas do setor

Os avanços já aparecem. Estudo da Interfarma, em parceria com a IQVIA, aponta que o Brasil avançou para a 12ª posição no ranking global de estudos clínicos iniciados em 2026, depois de ocupar a 18ª posição em 2025. Esse movimento mostra que a agenda regulatória tem impacto direto na atração de investimentos, na geração de conhecimento científico e, principalmente, na possibilidade de pacientes brasileiros acessarem mais cedo medicamentos ainda em desenvolvimento. [3]

Na indústria farmacêutica, esse ciclo virtuoso é muito claro: quanto mais previsível e estruturado é o ambiente de pesquisa, maior a capacidade de atrair estudos globais; quanto mais estudos chegam ao país, mais centros são capacitados, mais profissionais se desenvolvem e mais pacientes podem participar da inovação. É assim que pesquisa clínica passa a ser reconhecida como uma agenda de saúde, ciência e desenvolvimento econômico.

Na Sanofi, temos investido nessa visão antes mesmo do momento atual de maior visibilidade do tema e da nova lei e regulamentos. O Brasil ocupa posição estratégica na nossa agenda global de inovação e hoje participa de 54 dos 77 projetos globais de pesquisa e desenvolvimento da companhia. Em 2025, investimos R$ 153 milhões em pesquisa clínica no país, triplicando o patamar de investimento nos últimos três anos.[4]

Também dobramos nossa rede de centros parceiros, chegando a 262 instituições, ampliamos em 51% o número de participantes em estudos clínicos e nos tornamos a 4ª maior empresa em submissões de novos estudos à Anvisa em 2025. Atualmente, 17 moléculas estão em testes clínicos no Brasil, em áreas como dermatite atópica, asma, DPOC, doenças inflamatórias intestinais, esclerose múltipla e doenças raras do sangue. [4]

Mas protagonismo não se mede apenas em volume. Mede-se também pela capacidade de tornar a pesquisa mais representativa da população brasileira. Nos últimos dois anos, alcançamos mais de 20% de participação de pessoas negras em estudos clínicos da Sanofi Brasil e seguimos atuando para ampliar esse índice. A expansão para regiões historicamente menos representadas é parte essencial dessa estratégia. A Bahia, por exemplo, já é o terceiro estado com mais centros parceiros da Sanofi, atrás apenas de São Paulo e Rio Grande do Sul. Quando a pesquisa clínica reflete melhor a diversidade do país, a ciência se torna mais precisa e mais conectada às necessidades reais da população. [4]

A tecnologia também será decisiva nessa nova etapa. A inteligência artificial já permite acelerar processos de P&D de ponta a ponta, transformar etapas iniciais de pesquisa que antes levavam semanas em horas e melhorar a identificação de potenciais alvos terapêuticos. Mas a tecnologia só gera impacto quando encontra em seu caminho uma base sólida: regulação eficiente, centros preparados, profissionais capacitados, dados de qualidade e processos integrados. [5]

O Brasil está no caminho certo, mas ainda há uma jornada importante pela frente. Para que esse avanço se consolide, será necessário manter a previsibilidade regulatória e fortalecer a integração entre análise ética e regulatória.

Paralelamente, o aumento da descentralização dos centros de pesquisa fomentará investimentos consistentes em formação científica, sendo a base de conexões mais efetivas entre indústria, governo, academia, hospitais e sociedade, e criando um ecossistema integrado e colaborativo. Sem os profissionais capacitados, todos os esforços para tornar o Brasil um protagonista da ciência terão sido em vão.

No fim, o que realmente importa é o impacto para os pacientes, nossos protagonistas silenciosos da inovação! Cada estudo clínico conduzido no país representa uma oportunidade de acesso, capacitação e esperança. O avanço coletivo, com apoio dos órgãos reguladores, compromisso da indústria e fortalecimento dos centros de pesquisa, será o que fará a diferença para transformar o potencial brasileiro em benefício concreto para a saúde da população.


[1] Lei 14.874/2024.

[2] Anvisa – RDC 945/2024.

[3] Interfarma/IQVIA – Brasil avança para a 12ª posição global em estudos clínicos.

[4] VEJA Negócios – Sanofi investe R$ 153 milhões em pesquisa clínica no Brasil.

[5] Sanofi Brasil – Inteligência artificial aplicada à pesquisa e desenvolvimento.