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Ratinho Jr. ensaia ser dublê de candidato para combater força de Moro e evitar revés no Paraná

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Ratinho Jr. ensaia ser dublê de candidato para combater força de Moro e evitar revés no Paraná

Cinco anos após término da Lava Jato, o Paraná ainda sente os efeitos eleitorais da operação, que podem ser decisivos para a manutenção ou não do grupo político do atual governador, Ratinho Jr. (PSD), no comando do estado. Não bastasse a presença do ex-juiz Sérgio Moro (PL) e do ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) entre os atuais candidatos, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) colocou o tema da corrupção e dos desvios éticos no centro do debate.

Em linhas gerais, a agenda anticorrupção tende a favorecer Moro, que disputa o governo, e Dallagnol, candidato ao Senado. Ambos lideram as principais pesquisas de intenção de voto em um estado cujo eleitorado tem se mostrado inclinado ao conservadorismo de centro-direita nas últimas eleições, o que ajudou a garantir dois mandatos consecutivos a Ratinho Jr.

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Diante do cenário adverso, o governador tem se envolvido diretamente cada vez mais na campanha como tentativa de evitar que seu grupo político, um dos mais vitoriosos da política paranaense, seja apeado do Palácio Iguaçu. Neste ano, no entanto, Ratinho Jr. coleciona uma sucessão de tropeços políticos que, a menos de um mês do primeiro turno, ameaça implodir definitivamente sua liderança e abalar seu prestígio.

“Será muito difícil enfraquecer a liderança do Moro”, diz Murilo Hidalgo, diretor do instituto Paraná Pesquisas. Uma derrota após dois mandatos consecutivos e até um ensaio de candidatura presidencial representará grande revés na trajetória pública de Ratinho Jr., filho do apresentador de TV e empresário Carlos Massa, o Ratinho, controlador de um império econômico com atuação nas áreas de comunicação, agronegócio e hotelaria. 

Agora, a praticamente três semanas do primeiro turno, Ratinho cogita se licenciar do cargo para fazer uma imersão na campanha de seu candidato. Se seguir por esse caminho, ele será uma espécie de “dublê de candidato” para tentar transferir para Alex parte de seu capital político e eleitoral, já que o governo é bem avaliado. 

No entanto, no entorno do governador, há vozes dissonantes diante dessa possibilidade. Os que são contra avaliam que ele ficará “carimbado” por uma eventual derrota se deixar o cargo para mergulhar na campanha. A associação direta com um revés eleitoral poderia, em alguma medida, comprometer seu futuro na política, pois tem apenas 45 anos de idade — ou seja, é jovem para os padrões da política tradicional.

O que dizem as pesquisas

O senador Moro lidera a disputa ao governo em todos os principais levantamentos. No início deste mês, o instituto Paraná Pesquisas apontou o senador com 45% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Requião Filho (PDT), com 24%. Sandro Alex (PSD), o candidato de Ratinho Jr., apareceu em terceiro, com 17%. Segundo Hidalgo, somente algo até agora imponderável, como o surgimento de uma grave denúncia contra o ex-juiz, por exemplo, poderia representar uma mudança radical nesse cenário.

Na última sexta-feira (11/9), pesquisa do instituto Real Time Big Data trouxe o seguinte cenário estimulado: Moro com 35%, Alex com 25% e Requião Filho com 21% no primeiro turno. Como a margem de erro é dois pontos percentuais para mais ou para menos, há um empate técnico na segunda posição.

A liderança folgada de Moro pode ser explicada, em parte, pelo  ambiente eleitoral no país, que tem a corrupção e o Supremo no centro do debate. O ex-juiz da Lava Jato foi o responsável pela prisão do presidente Lula em 2018. Dessa forma, o senador segue contrariando prognósticos de que sua candidatura perderia tração quando a campanha tivesse início. Hidalgo chama a atenção para o bom índice dele no cenário espontâneo da Paraná Pesquisas: “Moro tem 24,2%, contra 10,2% de Requião Filho e 6,3% de Sandro Alex”.

“Nossa campanha é uma campanha de honestidade, de combate ao crime, de combate à corrupção e para atender o cidadão, porque todo centavo desviado é um centavo que falta na saúde, na educação e na infraestrutura. Aqui, o nosso grupo político representa o espírito da Lava Jato, juntamente com a direita e a centro-direita, contra o PT e contra o Centrão”, afirmou Moro no início de agosto. Com esse discurso, o senador vem mantendo a liderança contra Requião Filho, candidato do presidente Lula (PR), e Alex, apoiado por um governo que ostenta índices de aprovação perto dos 80% segundo importantes institutos.

Tropeços de Ratinho Jr.

Até março deste ano, Ratinho Jr. era o principal nome do PSD para encabeçar uma candidatura presidencial. Segundo apurou o JOTA, seu pai era contra o projeto por temer uma devassa, motivada por disputas políticas, nos negócios da família. A posição do apresentador acabou sendo determinante para que seu filho desistisse do sonho. A decisão abalou o governador emocionalmente, segundo fontes ligadas a ele, e atrasou a escolha do candidato à sua sucessão.

A definição em favor de Alex causou frustração em outros pretendentes e implodiu o grupo. Porém, em julho, o centro político do Paraná, que passou a pré-campanha dividido, se reaglutinou em torno do escolhido. Em uma costura arrojada,  Ratinho Jr. conseguiu o apoio da federação União-PP a seu candidato, o que foi determinante para convencer Rafael Greca (MDB), ex-prefeito de Curitiba, a retirar sua pré-candidatura ao Palácio Iguaçu e aceitar ser vice de Alex.

A recomposição do grupo ajudou Alex, ex-secretário estadual de Ratinho Jr., a dar uma arrancada nas pesquisas, mas ainda foi insuficiente para ultrapassar Requião Filho. Segundo Hidalgo, o candidato do PSD precisa crescer tirando, principalmente, votos de Moro. Assim, o próprio Ratinho Jr. tem partido para o embate direto com o senador como forma de tentar desgastá-lo.  É ele, por exemplo, quem tem cobrado, sem sucesso, a participação de Moro nos debates. Em outra frente, passou a dizer em eventos que “Moro não ama o Paraná” porque em 2022 tentou se candidatar por São Paulo.

O senador, de seu lado, busca dosar seus embates com o governador para não incorporá-lo diretamente ao debate eleitoral. 

STF na agenda e disputa na direita

A crise no STF tem sido abordada pelas principais candidaturas. Moro, que travou embates com a Corte no passado, tem adotado postura favorável ao escrutínio e à transparência das denúncias e suspeitas contra o ministro Alexandre de Moraes, colocando-se ao lado de André Mendonça.

No entanto, uma peça publicitária da campanha de Alex provocou reação do candidato do PL ao afirmar que ele votou a favor da indicação de Flávio Dino ao STF. Morou recorreu à Justiça contra a propaganda, mas foi derrotado.

Nesta semana, Dino bateu de frente com Mendonça, em uma decisão que foi ao encontro dos interesses do presidente Lula. A tentativa de ligar Moro a um ministro com trajetória na esquerda faz parte da estratégia de Ratinho Jr. de tirar o ex-juiz da zona de conforto de ser o principal candidato da direita no Paraná.

Senado 

A disputa pelo Senado também vive os reflexos da Lava Jato. Líder nas pesquisas, Deltan Dallagnol, ex-procurador da operação, conseguiu manter sua candidatura na Justiça após questionamentos de adversários.  Ele faz dobradinha com Moro e está tão forte na campanha que inverte a ordem natural das peças publicitárias, pois aparece em propagandas pedindo votos para o candidato ao governo.

Em nota, ele aproveitou para forçar a polarização com o PT: “Para desespero de Gleisi Hoffmann (candidata de Lula ao Senado), a Justiça venceu no Paraná. Minha candidatura está confirmada. O eleitor paranaense poderá escolher livremente quem quer como seu representante e, nas urnas, vamos aposentar Gleisi da política”.

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De acordo com o mais recente levantamento do instituto Paraná Pesquisas, Deltan tem 30,8% das intenções de voto, seguido por Alexandre Curi (Republicanos), com 28,4%, Gleisi (PT), com 25,7% e Filipe Barros (PL), com 22,9%.

O instituto ouviu 1.280 eleitores presencialmente em 56 municípios do Paraná entre os dias 31 de agosto e 2 de setembro. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Real Time Big Data entrevistou 1.600 eleitores entre 4 e 8 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa também foi registrada no TSE.