Alvo da PF ao lado de Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz movimentou R$ 5 bi em bet e sacou R$ 200 mi, aponta Fazenda

O advogado Willer Tomaz de Souza – que, ao lado de Flávio Bolsonaro (PL), é investigado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro – movimentou R$ 5 bilhões em apostas no ano passado e sacou quase R$ 200 milhões de uma bet, de acordo com documentos revelados pelo UOL e obtidos também pelo JOTA.
Ele é a pessoa que mais depositou em bets (R$ 258 milhões), com o dobro dos valores do segundo colocado no ranking. Os recursos foram movimentados por meio da Blaze, plataforma de apostas controlada pela Foggo Entertainment.
“Em 2025, o cliente em questão fez 140 apostas cujo ganho – em cada uma delas – foi igual ou superior a R$ 1 milhão, totalizando mais de R$ 152 milhões apenas no conjunto dessas apostas, sendo que no total acumulado de suas mais de 36 mil apostas realizadas no ano o cliente teve ganhos de quase R$ 5 bilhões, e perdas acumuladas de valor similar”, afirma a nota técnica da Fazenda.
O mesmo cliente fez 1.936 aportes (média de R$ 133 mil em cada um), enquanto o volume total de saques se dividiu entre 3.408 operações (média de R$ 58 mil por retirada), sendo que 1.629 dos saques tiveram o exato valor de R$ 100 mil, e 156 tiveram o exato valor de R$ 500 mil, ao passo que houve 2.869 saques de exatos R$ 50 mil, e 12 saques de exatos R$ 500 mil.
Além disso, houve diversas situações em que múltiplos depósitos ou saques ocorreram em curtíssimo espaço de tempo. Em 30 de outubro de 2025, por exemplo, foram realizados 5 depósitos de R$ 500 mil em uma mesma hora da manhã, outros 5 do mesmo valor em uma mesma hora da tarde, e outros 4 do mesmo valor em uma mesma hora da noite, totalizando R$ 7 milhões em depósitos em um único dia. Outro exemplo são 12 saques de R$ 500 mil realizados em um espaço de 18 minutos no dia seguinte, totalizando R$ 6 milhões.
O Ministério da Fazenda, que monitora o mercado por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas, viu possíveis irregularidades pelo fato de a plataforma não avisar as autoridades sobre as movimentações suspeitas, tendo em vista as práticas de Prevenção à Lavagem de Dinheiro, ao Financiamento do Terrorismo e ao Financiamento da Proliferação de Armas de Destruição em Massa (PLD/FTP).
“Se o ‘time de fraude’ ao qual a empresa se refere não considerou essas quantias suficientes para enquadrá-las como ‘altos índices de ganhos, de perdas ou de elevados valores’ e ao menos analisá-las sob o ponto de vista de PLD/FTP , tudo indica que essa equipe técnica não cumpriu suas atribuições a contento”, afirma a Fazenda. “Nesse ponto, importante lembrar que a ocultação é uma das fases por que costuma passar a lavagem de dinheiro, de modo que um mero volume elevado de apostas, ainda que não envolvendo lucro significativo (podendo até mesmo envolver prejuízo), pode constituir indício daquele crime”.
A pasta recomendou a apuração das condutas da empresa Foggo para possível instauração de processo administrativo sancionador. Também recomendou medidas acautelatórias, antes ou durante eventual processo.
De acordo com o Estadão, a Polícia Federal investiga se o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, atuou ao lado do advogado Willer Tomaz em um suposto esquema de lavagem de dinheiro.
De acordo com a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, Flávio Bolsonaro era usuário de uma conta offshore em nome da empresa Alcazar Holdings, administrada por Tomaz. Ao jornal, Flávio negou ter tido conta conjunta com Tomaz.
Outro lado
Procurado, Tomaz enviou uma nota por meio de sua assessoria de imprensa dizendo que os recursos têm origem lícita e são compatíveis com seus rendimentos.
“O tema é objeto de ação judicial em curso e já foi amplamente noticiado pela imprensa, o que torna a pauta mais uma repetição de informações conhecidas. Os recursos têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e constam de sua declaração à Receita Federal. As cifras apresentadas não correspondem à realidade: o chamado volume apostado soma reapostas sucessivas de um mesmo montante e, por isso, não representa dinheiro novo”, afirma.
“O advogado Willer Tomaz nunca recorreu a ferramenta automatizada nem fracionou operações para contornar qualquer controle. Na 7K, foi cliente como qualquer outro, sem vínculo societário, comercial ou pessoal com a empresa ou seus controladores, e não é alvo da Operação Narco Bet”, disse.
“Causa estranheza que um documento técnico de órgão federal, contendo dados protegidos por sigilo, chegue à imprensa justamente em período eleitoral. Por se tratar de assunto de natureza estritamente pessoal e submetido ao Judiciário, Willer não fará outros comentários”, afirmou.
Procurada, a Blaze não retornou até o fechamento deste texto.