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De redutos aos maiores colégios eleitorais: como Lula traça o mapa da campanha?

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De redutos aos maiores colégios eleitorais: como Lula traça o mapa da campanha?

O roteiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na busca pela reeleição tem passado por grandes colégios eleitorais, redutos do presidente e estados onde a disputa de 2026 aparece mais acirrada. O percurso também inclui locais em que o PT busca fortalecer seu palanque por meio de alianças. A dez dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, no entanto, o presidente ainda não esteve em 14 das 27 unidades da Federação.

Desde o início oficial da campanha, em 16 de agosto, Lula fez 19 atos. Ele passou por 17 cidades em 12 estados e no Distrito Federal. O itinerário inclui os cinco maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná. Juntos, concentram 83,3 milhões de eleitores, 52,45% do eleitorado apto a votar em 2026, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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A reta final deve ampliar esse mapa, mas sem mudar sua lógica. Neste sábado (26/9), Lula volta a São Paulo para atos nas zonas Leste e Sul da capital com Fernando Haddad (PT), candidato ao governo paulista.

Antes, no fim do dia de sexta-feira (25/9), o presidente cumpriu agenda em São Paulo, combinando compromissos de governo e articulação política. Às 17h, participou de um ato oficial para assinar uma medida provisória que endureceu as regras para as bets. À noite, participou de um jantar no hotel Tivoli Mofarrej, organizado pelos grupos Esfera, Prerrogativas e Parlatório, com mais de 500 empresários. O encontro reuniu vários ministros, Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Na segunda-feira (28/9), o presidente deve ir pela primeira vez à Região Norte nesta campanha, com agendas em Manaus e Belém. No dia seguinte, estão previstos atos em Fortaleza (CE), com Elmano de Freitas (PT), e em Feira de Santana (BA), com Jerônimo Rodrigues (PT). Na sexta-feira (2/10), Lula deve voltar a Belo Horizonte e ao Rio de Janeiro. A previsão é que campanha termine em São Paulo, no sábado (3), véspera da votação.

Se o roteiro se confirmar, Lula terá passado por 14 estados e pelo Distrito Federal no primeiro turno. Ficarão de fora 12 unidades da Federação: Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Maranhão, Paraíba, Sergipe, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Marcha pela reeleição

Até agora, metade dos eventos eleitorais ficou concentrada na região Sudeste, com repetições no itinerário. SP, MG e RJ, os estados com mais eleitores, receberam três agendas cada. 

A estratégia na região passou por perfis de eleitorado diferentes dentro de um mesmo estado. Em São Paulo, por exemplo, Lula abriu a campanha em São Bernardo do Campo, no ABC, onde começou sua trajetória sindical. No início de setembro, foi a São José do Rio Preto, polo do noroeste paulista, região de forte presença do agronegócio. Depois, esteve em Guarulhos, segunda cidade mais populosa do estado e um dos principais polos industriais da região metropolitana.

Lula esteve cinco vezes no Nordeste, em RN, BA, CE, PI e AL. Também passou pelas três capitais do Sul. No Centro-Oeste, fez ato em Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal. Já a região Norte ficará para o final da campanha do primeiro turno, na segunda-feira.

Veja a lista de todas as cidades pelas quais o presidente passou:

SUDESTE

São Paulo: São Bernardo do Campo, em 16 de agosto (primeiro ato de campanha); São José do Rio Preto, em 05/09, e Guarulhos, em 18/09

Minas Gerais: Belo Horizonte, em 21 e 29/08; e Montes Claros, em 17/09

Rio de Janeiro: Na capital, em 22/08 e 23/09; e São Gonçalo em 24/09

NORDESTE

Natal (RN), em 20/08

Salvador (BA), em 28/08

Juazeiro do Norte (CE), em 04/09

Teresina (PI), em 09/09

Maceió (AL), em 24/09 

Recife (PE), em 25/09

SUL

Porto Alegre (RS), em 11/09

Curitiba (PR), em 12/09

Florianópolis (SC), em 19/09

CENTRO-OESTE 

Ceilândia (DF), em 16/09

Os 16 locais reúnem por volta de 17 milhões de eleitores, o equivalente a 11% do eleitorado brasileiro de 158,75 milhões em 2026, segundo o TSE.  

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O mapa traçado por Lula reúne locais de perfis eleitorais diferentes. No segundo turno de 2022, Jair Bolsonaro (PL) venceu em 10 das 16 cidades visitadas pelo presidente até agora.

O roteiro passa por redutos petistas, como Juazeiro do Norte (CE), onde Lula teve 76,3% dos votos válidos no segundo turno de 2022, e Salvador, a capital do país onde Lula teve o maior percentual de votos, 70,7%. A segunda capital a mais votar em Lula, Teresina (PI), com 66,4%, também foi incluída no itinerário da campanha do primeiro turno. 

O percurso inclui também territórios adversos ao petista. Em São José do Rio Preto, Bolsonaro teve 67,9% dos votos válidos em 2022. Em Curitiba, 64,8%, e no Distrito Federal, 58,8%.

A fotografia de 2026 também ajuda a explicar parte do percurso. Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, os levantamentos mostram disputa apertada, com melhora para Lula nas última semanas.

Segundo a pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (23), Lula tem 35% das intenções de voto no primeiro turno, e Flávio Bolsonaro (PL), 30%. No segundo turno, os dois aparecem empatados, com 40% cada. Há duas semanas, o senador liderava numericamente esse cenário por 40% a 37%. A Quaest ouviu 1.506 eleitores entre 19 e 22 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais.

Pesquisa AtlasIntel divulgada no mesmo dia também mostra Lula à frente no primeiro turno, com 48,8% a 43,4%. No segundo turno, há empate técnico: 49,9% para Lula e 47,1% para Flávio. O instituto ouviu 1.799 eleitores de 15 a 20 de setembro, com margem de erro de dois pontos.

Minas é um dos estados mais visitados por Lula. O presidente esteve duas vezes em Belo Horizonte em menos de dez dias no mês de agosto. Nas três passagens pelo estado, incluindo Montes Claros, dividiu o palanque com Patrus Ananias, candidato do PT ao governo.

Na disputa estadual, Cleitinho (Republicanos) lidera com folga em todas as pesquisas. Na Quaest mais recente, tem 37%. Patrus segue longe do primeiro lugar, mas abriu 8 pontos sobre Alexandre Kalil (PDT) na disputa pelo segundo: 16% a 8%. Duas semanas antes, os dois estavam empatados, com 11% cada.

Mapa dos palanques

Lula dividiu o palanque com candidatos a governador e ao Senado. O roteiro funcionou também como ferramenta de construção de palanques estaduais e de uma bancada no Senado. Nesta eleição, estão em disputa duas das três vagas de cada estado.

Nos palanques, aparecem candidatos do PSD, como Eduardo Paes e Pedro Paulo no Rio e Júlio César no Piauí, mesmo com o partido tendo Ronaldo Caiado como candidato próprio à Presidência. Há ainda nomes do MDB (Renan Filho, Marcelo Castro), do PDT (Juliana Brizola, Requião Filho, Leila Barros), do PSB (João Campos, Gelson Merísio, Simone Tebet, Cid Gomes), do PSOL e da Rede.

Alguns temas se repetem em quase todos os atos. Os principais são a soberania nacional, as críticas à interferência dos Estados Unidos, as críticas ao seu principal adversário Flávio Bolsonaro (PL) e à família Bolsonaro, o combate ao feminicídio e a educação.

Mas algumas cidades receberam agendas próprias mais específicas. Em um dos atos do Rio de Janeiro, em Bangu, o foco foi a segurança pública, com a defesa da PEC da Segurança e a promessa de criar um ministério para a área. Já em São Gonçalo, na região metropolitana, Lula deu ênfase a programas voltados à periferia, como Gás do Povo, Luz do Povo e Pé-de-Meia. Na sua segunda ida à capital fluminense, o presidente se reuniu com artistas em ato intitulado “Cultura com Lula”.

Na capital baiana, o presidente deu destaque à industrialização e ao potencial tecnológico do país. A cerca de 50km de Salvador fica o Polo Industrial de Camaçari, que tem destaque nacional nos setores petroquímico e automobilístico. Lula também fez propaganda do Novo PAC, citando a ponte Salvador-Itaparica.

No ato de Ceilândia, no DF, Lula fez críticas ao clã Bolsonaro pela relação com os EUA e ao rombo do BRB, que ligou ao ex-governador Ibaneis Rocha.

Em Natal, o ato serviu como uma vitrine dos programas do governo. Lula citou Bolsa Família, Mais Médicos e Pé-de-Meia e prometeu concluir a transposição do São Francisco até o fim de 2026.

As cidades visitadas no Nordeste são também as de maior presença do Bolsa Família. Em todos os locais da região, o número de famílias atendidas pelo programa supera a média nacional, que é de 26,6 famílias para cada 100 domicílios, segundo cruzamento de dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), de agosto deste ano, com a população estimada de acordo com IBGE. Juazeiro do Norte lidera, com 35,8. Depois vêm Maceió (31,5), Salvador (30,6), Natal e Teresina (27,8 cada).