Constitucional

Derrota acachapante de Trump nas midterms cria cenários distintos para relação com o Brasil

JOTA·
Derrota acachapante de Trump nas midterms cria cenários distintos para relação com o Brasil

A derrota acachapante do presidente Donald Trump nas eleições de meio de mandato (midterms) cria dois cenários plausíveis para o futuro da relação bilateral com o Brasil: o de um Trump radicalizado ou “domesticado” por novos contrapesos no Congresso. Esse será o ponto de partida do governo reeleito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vai esperar a situação decantar para organizar a estratégia de negociação da relação daqui para frente, segundo fontes ouvidas pelo JOTA.

No primeiro caso, o chefe da Casa Branca encontraria espaço para atuar mais na política externa, o que criaria desafios adicionais para a diplomacia brasileira. No segundo, teria sua atuação contida, questionada e limitada por uma enxurrada de processos judiciais, com pouco tempo — ou poder — para insistir no bullying da Estratégia de Segurança Nacional em que prevalece o domínio dos EUA sobre o Hemisfério Ocidental.

Em ambos os casos, o republicano estará mais isolado. E a lealdade, ou falta dela, no seu entorno dará a dimensão desse isolamento. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, que tem pretensões políticas para a sucessão na Casa Branca, é enxergado como um dos mentores das políticas mais agressivas na América Latina.

É possível que a política do tarifaço perca força. Ela e a guerra do Irã foram os grandes algozes dos Republicanos nas urnas. As tarifas e seu impacto inflacionário foram motivo de distanciamento dos próprios republicanos do discurso de Trump. Aliás, há entre eles a convicção de que a estratégia mais intervencionista na economia deve ser revista, devendo dar lugar a uma abordagem mais voltada ao livre mercado e à liberdade econômica.

Em todo caso, é Trump quem estará do outro lado da mesa até 2028, quando termina o seu mandato. É com ele que Lula terá que tratar. “Diálogo sobre temas pendentes é com o Executivo, e continuamos dialogando”, afirmou uma fonte dentro do governo brasileiro.

O que está certo até aqui é que os americanos rejeitaram de forma estrondosa a agenda do republicano neste seu segundo mandato. E o que está por vir é um Trump mais imperial, o que é sempre perigoso dada a sua imprevisibilidade.

Assine gratuitamente a newsletter Últimas Notícias do JOTA e receba as principais notícias jurídicas e políticas do dia no seu email

Próximo encontro Lula/Trump?

Está prevista nova reunião entre Brasil e EUA nas próximas semanas. A expectativa é de um encontro daqui até a cúpula de líderes do G20 na Flórida, da qual Lula pretende participar, em dezembro.

Não há nada solicitado — nem decidido — de lado a lado, mas esta pode ser oportunidade para que os dois chefes de Estado se encontrem. Um fortalecido por ampla margem de votos em eleição geral. O outro, enfraquecido e enfurecido após derrota avassaladora nas legislativas de meio de mandato.

Foi o que ficou acertado no final da semana passada entre Rubio e o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, em rápido encontro à margem da reunião de chanceleres do G20, em Atlanta.