Constitucional

Lula avalia indicar governador do RJ ao STF e sofre pressão para trocar diretor-geral da PF

JOTA·
Lula avalia indicar governador do RJ ao STF e sofre pressão para trocar diretor-geral da PF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia indicar o governador do Rio, Ricardo Couto, para o Supremo Tribunal Federal (STF), em meio à crise que se abateu sobre a mais alta Corte do país com a guerra aberta entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Além disso, Lula sofre pressões de alas do governo e de setores no Congresso para substituir o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Interlocutores do presidente afirmam, no entanto, que a troca na direção da PF não deve ocorrer por ora. Isso porque, ao fazer esse movimento no atual contexto, ele atrairia para o Planalto a crise que se abateu sobre o Supremo. Os mais recentes movimentos de Lula vão no sentido contrário, de defender investigações contra quem quer que seja — implicitamente, Moraes — e criticar “vazamentos seletivos”, o que se atribui a Mendonça.

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A solução Couto

Segundo fontes do Planalto, o nome de Couto ganhou força nos últimos dias. Presidente do Tribunal de Justiça do Rio e governador interino do estado, ele já estava no radar do Planalto, mas passou a ser discutido com mais intensidade depois do agravamento da crise no STF. Interlocutores do presidente afirmam que a indicação pode ocorrer após o primeiro turno da eleição presidencial, a depender da temperatura da crise e de acertos com a cúpula do Congresso, sobretudo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ministros do Supremo também devem ser ouvidos sobre o timing da indicação.

A leitura de aliados é que um magistrado de carreira, sem vínculo direto com o núcleo político do governo, permitiria a Lula vender a indicação como um gesto de pacificação institucional e, ao mesmo tempo, marcar alguma distância do desgaste provocado pelo embate que envolve Alexandre de Moraes, André Mendonça e a Polícia Federal.

Couto ainda reúne outros ativos. Lula vem cultivando uma relação pública de proximidade com o governador interino e já o elogiou pela ofensiva contra corrupção, milícias e crime organizado no Rio. A passagem pelo Palácio Guanabara também lhe deu exposição política num estado estratégico para a eleição. Seu nome circulava para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ) há alguns meses, mas enfrenta resistência de outras alas dentro da Corte.

A mudança, porém, teria custo. Significaria deixar de lado, ao menos por ora, Jorge Messias, cuja indicação Lula pretendia reapresentar depois da rejeição no Senado. É justamente esse cálculo, entre insistir numa escolha pessoal e aproveitar a crise para fazer um movimento de caráter mais institucional, que tornou Couto uma alternativa mais concreta.

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Pressões contra Andrei

A avaliação de alas do governo e do Congresso é que a permanência de Andrei estaria insustentável e que ele deveria entregar o cargo. Apesar do movimento de pressão, auxiliares de Lula rechaçam essa possibilidade por ora, o que entendem que poderia expor ainda mais o chefe do Executivo, em meio a um processo eleitoral.

Mas a leitura, que já vinha ganhando tração nas últimas semanas, é de que a permanência dele no cargo num eventual novo governo estaria inviabilizada.

Dentro do governo, Andrei já vinha sofrendo críticas, especialmente por dois motivos. O primeiro dá conta que o diretor-geral da PF não teria controle da corporação, no sentido que embaixo da sua alçada estaria instaurada uma guerra entre as diferentes alas. O segundo é que ele teria maior fidelidade ao ministro Alexandre de Moraes do que ao presidente.

Segundo relatos, o próprio Lula teria demonstrado incômodo. A avaliação é que Andrei estaria atuando mais para tumultuar do que para dissipar ruídos e isso tem potencial de prejudicar o petista na disputa eleitoral.

Aliados do diretor-geral, contudo, ponderam que ninguém consegue ter controle da PF e que o incêndio estaria sendo estimulado pelo Supremo.