Constitucional

Mailza Assis é reeleita governadora do Acre

JOTA·
Mailza Assis é reeleita governadora do Acre

Mailza Assis (PP) foi reeleita governadora do Acre (AC) neste domingo (25/10). Com 100% das urnas apuradas, ela obteve 66,21% dos votos válidos, derrotando o senador Alan Rick (Republicanos), que recebeu 33,79%.

A disputa no estado foi ao segundo turno por pouco. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Mailza recebeu 49,76% dos votos válidos, menos de um ponto percentual da maioria absoluta. Alan Rick obteve 32,27%.

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A vitória dá a Mailza, de 49 anos, um mandato próprio depois de ter chegado ao governo por sucessão. Eleita vice-governadora em 2022 na chapa de Gladson Cameli, ela assumiu o Palácio Rio Branco em abril de 2026. Esta foi a primeira vez que disputou o cargo de governadora em eleição direta.

Mailza também foi senadora pelo Acre, de 2019 a 2023, e construiu carreira na administração pública. Nascida em Mato Grosso do Sul, firmou-se politicamente no Acre, onde liderou ações como o programa Juntos Pelo Acre, voltado a famílias vulneráveis.

A eleição colocou frente a frente dois candidatos do campo da direita, ambos apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Apesar da convergência ideológica, as campanhas percorreram caminhos distintos na formação de alianças para o segundo turno. Mailza ampliou sua base com adesões de lideranças que estiveram em outros palanques na primeira etapa, enquanto Alan buscou se consolidar junto ao eleitorado de direita e recebeu uma manifestação direta de apoio de Flávio.

A reeleição da governadora mantém no comando do Acre o grupo político ligado à família Cameli, que chegou ao governo estadual com Gladson Cameli (PP) em 2019. Mailza é casada com Gladson Cameli, primo do ex-governador. Eles formalizaram a união em janeiro deste ano e o marido foi nomeado chefe do Gabinete Pessoal da governadora, com status de secretário de Estado.

Até abril deste ano, Mailza era vice-governadora de Gladson Cameli. Ela assumiu a chefia do Executivo acreano depois de o governador deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado. Durante a campanha, Cameli ajudou a articular a aliança governista, que reuniu o PP e outras forças políticas em torno da candidatura da governadora.

O ex-governador, porém, não foi eleito. A sua candidatura foi indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), em setembro, após impugnação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral. A decisão se baseou na condenação de Cameli pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a 25 anos e 9 meses de prisão por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação. Ele recebeu a maior pena já aplicada pelo STJ em uma ação penal originária do próprio Tribunal.

Cameli disputou a eleição sub judice, já que a decisão eleitoral ainda admitia recurso. Embora tenha liderado as intenções de voto segundo as pesquisas eleitorais, Cameli terminou em terceiro lugar, não estando apto a ocupar uma das duas vagas do Senado.

Relações familiares

Gladson Cameli foi eleito governador em 2018 e reeleito em 2022. O político do PP foi uma das principais lideranças da política acreana nos últimos anos e sustentou a candidatura da sucessora, apresentada como continuidade de sua administração.

A família Cameli tem presença histórica na política e nos negócios do Acre. Gladson é sobrinho de Orleir Cameli, que governou o estado de 1995 a 1999 e também foi prefeito de Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade do estado. Antes de entrar na política, Gladson trabalhou em empresas da família, com atuação em setores como construção civil e transporte.

Antes do governo do Acre, a trajetória política de Mailza também passou pelo Senado. Ela foi primeira suplente de Gladson na eleição de 2014. Em 2018, quando Gladson deixou o Senado para assumir o governo estadual, Mailza assumiu a titularidade do cargo. Em 2022, foi eleita vice-governadora na chapa do mesmo aliado, antes de assumir o comando do Executivo.

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Reorganização dos apoios

O segundo turno pelo governo do Acre ficou restrito a dois candidatos alinhados à direita e apoiadores de Flávio Bolsonaro para a Presidência. Ambos exploraram a proximidade com o senador durante a campanha, embora Flávio tenha declarado apoio explícito a Alan Rick. No primeiro turno, o candidato do PL à Presidência obteve 64,56% dos votos válidos no Acre.

Depois de 4 de outubro, Mailza ampliou sua base com adesões de antigos adversários. Entre eles esteve o prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene (PP), que havia apoiado Tião Bocalom (PSDB) no primeiro turno. Bestene era vice-prefeito e assumiu a prefeitura após Bocalom deixar o cargo para disputar o governo estadual. 

A governadora também recebeu o apoio do ex-candidato Dr. Luisinho (Agir).

Bocalom, terceiro colocado no primeiro turno, foi alvo de articulações das duas campanhas, mas não houve uma declaração formal de apoio a Mailza ou Alan Rick.