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Lula atribui virada histórica à juventude e fala em proteger Brasil de interferência estrangeira

JOTA·
Lula atribui virada histórica à juventude e fala em proteger Brasil de interferência estrangeira

A dois dias de completar 81 anos de idade e recém-eleito para seu quarto mandato, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a apoiadores e à imprensa que fará “o melhor mandato que um presidente já fez”. O atual presidente se reelegeu com 51,78% dos votos válidos contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 99,98% das urnas apuradas, virando o resultado do primeiro turno – o que nunca havia acontecido na história do país.

No palco do auditório onde estava reunido o comitê da reeleição, Lula parou simbolicamente entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e o deputado federal André Janones (Rede), que assumiu a dianteira da campanha lulista nas últimas três semanas, sobretudo entre jovens.

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O discurso – de improviso, como é típico de Lula – não jogou luz sobre as declarações de Flávio Bolsonaro de que pedirá anulação das eleições. O dia foi marcado por uma série de dúvidas e insegurança após o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal federal (STF), estender por duas horas o horário de votação, o que fez com que os bolsonaristas alegassem interferência indevida.

Em seu pronunciamento, o presidente Lula agradeceu “a generosidade da juventude brasileira que foi pra rua” e disse que ficou emocionado com a magnitude do ato de apoiadores na avenida Paulista na véspera da eleição. Também citou a mobilização dos jovens para “levar seus avós” para votar.

Lula criticou tentativas de interferência eleitoral por parte das redes sociais, que prometeu regular. Ele se referiu às gigantes de tecnologia estadunidenses, as chamadas big techs, como “empresas monstruosas ganhando milhões e milhões, não pagando nenhum imposto a esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”. Nas últimas semanas, a coligação acusou inúmeras vezes a Meta, dona do WhatsApp e do Facebook, de tentar interferir nas eleições por meio do direcionamento parcial de conteúdos via algoritmos e Inteligência Artificial.

Luiz Inácio Lula da Silva mencionou que não quer depender da inteligência artificial chinesa ou americana e que o Brasil tem “potencial criativo” para deixar de ser um país periférico na economia mundial. “Esse país não aceita ser quintal de ninguém”, disse. Também ressaltou que a comunicação digital terá um peso importante em seu próximo governo.

Lula frisou algumas vezes que governará para todos, e não somente para quem votou nele, e defendeu o Estado laico. Em seu governo, “as religiões serão todas respeitadas em igualdade”, falou.

Destacou sua trajetória pessoal como metalúrgico e como “o único presidente da república sem diploma” e afirmou que acredita ser “escolhido por Deus”. “Eu sempre acho que tem um dedo de Deus na minha cabeça”, afirmou.

A universalização das escolas em tempo integral, bandeira da campanha de Flávio, também foi mencionada pelo presidente reeleito como uma promessa, assim como os investimentos no Sistema Único de Saúde e na segurança pública, que disse que contará com atuação maior do governo federal.

“General Janones”

A centralidade que Lula atribuiu à comunicação digital e à mobilização da juventude se traduziu na importância que deu a Janones durante seu discurso, a quem chamou de “nosso general”.

No primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. O resultado contrariou a maior parte das pesquisas, que projetavam o petista na dianteira. Após o resultado, Janones criou um canal de WhatsApp chamado “Exército do Lula”, no qual emitia diariamente ordens aos militantes para articulação nas redes sociais e nas ruas.

A mobilização, somada ao chamado pacote de bondades do governo, ajudou a reduzir a rejeição de Lula e a estreitar a diferença entre os dois candidatos nas pesquisas de intenção de voto. No sábado (24/10), véspera das eleições, tanto a Quaest quanto o Datafolha projetavam 51% de votos válidos para Flávio Bolsonaro e 49% para Lula.

Caos eleitoral

A votação do dia 25 de outubro foi marcada por transtornos relacionados ao acesso às urnas. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que, para contornar questões envolvendo redução da frota de transporte público em municípios baianos, todas as seções eleitorais prorrogassem o horário da votação até as 19h de Brasília. O pedido foi protocolado ao STF pela campanha de Lula. Inicialmente, o fechamento das urnas estava previsto para as 17h.

Bolsonaristas alegam interferência indevida no processo eleitoral e apontam parcialidade pelo fato de Zanin ter sido indicado ao Supremo por Lula, para quem advogou durante a Operação Lava-Jato.

Flávio Bolsonaro também havia pedido a extensão do horário de votação até as 19h em municípios de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul afetados pela chuva. O pedido, porém, foi protocolado diretamente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e não mencionava prorrogação do horário em todo o território nacional