Tesouro vê dívida bruta acima de 100% do PIB em 2033 com cenário adverso

O Tesouro Nacional passou a projetar que a dívida bruta vai representar mais de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2033, caso o país permaneça em um cenário adverso de déficits prolongados, baixo crescimento e juros altos.
As projeções foram registradas no Relatório de Riscos Fiscais da União, publicado nesta terça-feira (3/11). O documento piora as previsões em relação à edição de um ano atrás, quando foi calculado que o cenário adverso geraria um endividamento de 95,3% em 2033.
Os dados são divulgados enquanto o mercado espera respostas mais claras de Lula a respeito dos próximos passos da política econômica. Nos últimos dias, um artigo do economista André Lara Resende propondo limitar a Selic causou temor de mudanças mais radicais para o quarto e último mandato do petista – embora o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tenha dito que as sugestões não estão sobre a mesa.
Em outros cenários, o Tesouro projeta trajetórias mais controladas para o endividamento. Com o fiscal passando por determinados ajustes, o indicador da dívida bruta se estabiliza e tem leve queda a partir de 2031, chegando a 91,5% em 2036.
No cenário central, chega a 86,3% em 2036. Com mais ajustes no primário, em 81,1% no mesmo ano. E com condições mais benignas de Selic, primário e PIB, haveria uma queda acentuada para 71,3% no mesmo horizonte.
De acordo com o Tesouro, “a redução sustentada da dívida/PIB no médio prazo depende da continuidade de reformas que melhorem o ambiente de negócios e maior crescimento do PIB, com destaque para aquelas que promovam a consolidação fiscal.
O Tesouro diz ser razoável supor que um choque adverso em uma variável afete negativamente outras variáveis. Mais precisamente, que um déficit primário maior tende a vir acompanhado de juros mais altos e menor crescimento do PIB.
De acordo com o Tesouro, 1 ponto percentual a mais de Selic implica gasto adicional de R$ 78,3 bilhões em 2027 e de R$ 476,0 bilhões no período de 2027 a 2030.
