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Em disputa estadual acirrada, caciques alagoanos correm risco de ficar sem mandato

JOTA·
Em disputa estadual acirrada, caciques alagoanos correm risco de ficar sem mandato

O xadrez eleitoral disputado em Alagoas neste ano pode deixar sem mandato alguns dos principais nomes da política do estado, com influência também no âmbito federal. A disputa apertada nas pesquisas, tanto para o governo estadual quanto para as duas cadeiras do Senado, torna o cenário um dos mais incertos do país.

Renan Calheiros (MDB) disputa mais um mandato no Senado, enquanto Renan Filho (MDB) é candidato ao governo, com apoio do presidente Lula (PT). O palanque de Flávio Bolsonaro (PL) no estado é composto por Arthur Lira (PP) e Marina Cândia (PSDB) para a Casa Alta, e João Henrique Caldas (PSDB), o JHC, para o Palácio República dos Palmares.

Pesquisa AtlasIntel divulgada na quinta-feira (10/9) mostra JHC com 49,3% das intenções de voto no primeiro turno, contra 46,4% de Renan Filho. No segundo turno, o tucano tem 49,9% contra 46,7% do emedebista, o que configura um empate técnico em ambos os turnos.

Já para o Senado, pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto apontou Lira com 20% dos votos totais, Calheiros com 18% e Marina com 15%. Davi Davino Filho (Republicanos) tem 10%, seguido por Dr. Wanderley, com 5%. Brancos e nulos são 12%, e indecisos 19%.

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Em vez de puramente refletir a polarização nacional, o cenário do estado representa muito mais a disputa polarizada entre grupos que mantêm uma forte rivalidade histórica e o desgaste natural de clãs políticos consolidados e formados por famílias tradicionais na política alagoana, representados por uma nova geração nesta eleição.

Enquanto os Calheiros reforçam a aliança com Lula (PT) e a atuação de Renan Filho como ministro dos Transportes nos últimos quatro anos, a orientação na campanha de JHC é não nacionalizar a disputa antes do primeiro turno para não inviabilizar o voto de petistas descontentes com os rivais alagoanos. Por este motivo, ele e sua candidata a vice, Célia Rocha (PSDB), que tem alinhamento mais explícito ao bolsonarismo, não participaram de nenhuma das agendas de Flávio Bolsonaro (PL) no estado na última semana de agosto.

O palanque à direita no estado, vale ressaltar, passou por rearranjos até o último minuto com o anúncio de Alfredo Gaspar (PL-AL), antes pré-candidato ao Senado, como candidato a vice de Flávio, e os acertos feitos entre JHC e Lira para acomodar as candidaturas do próprio JHC e de sua esposa na disputa.

Os dois lados buscaram em Arapiraca, segunda maior cidade do estado e tida como “capital do interior”, seus candidatos a vice, na estratégia de compor uma chapa com representação no Agreste. Renan Filho escolheu Yale Fernandes, indicado pelo prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa (MDB). Célia Rocha, vice de JHC, foi prefeita da cidade por diversos mandatos entre 1997 e 2016, e rompeu com o atual chefe do Executivo do município, que já apadrinhou politicamente.

No interior, tanto Renan Filho quanto Arthur Lira têm forte presença entre as prefeituras. Enquanto os Calheiros reforçam o legado e a relação com Lula, a chapa adversária entoa o coro da necessidade de mudança e de tirar pai e filho do poder, na tentativa de colar nos Calheiros a pecha de coronéis — mesmo que todos os candidatos venham de famílias de tradição política.

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