Fazenda se recusa a organizar reunião com DF e bancos sobre BRB

O Ministério da Fazenda negou o pedido do governo do Distrito Federal (GDF) para organizar uma reunião com bancos que discutiria uma operação de crédito para capitalizar o Banco de Brasília (BRB).
A governadora Celina Leão (PP) havia solicitado no fim de agosto ao ministro Dario Durigan (Fazenda) o agendamento de uma audiência para falar sobre um possível empréstimo de R$ 6,6 bilhões que seria concedido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ao Distrito Federal destinado ao aporte de capital no BRB, com garantia do sindicato de bancos e contragarantia de recursos da unidade federativa.
A governadora pediu, inclusive, que a Fazenda avaliasse a viabilidade de convidar para a reunião representantes de todas as instituições que comporiam um sindicato de bancos envolvidos no tema — Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, BTG Pactual e XP Investimentos.
Na última segunda-feira (31/8), a Fazenda afirmou ao GDF que a estruturação e a execução da operação de crédito não são atribuições do governo federal e que cabe ao próprio Distrito Federal articular-se diretamente com as instituições financeiras e demais agentes de mercado — inclusive para definir os elementos concretos da operação.
A pasta disse ainda que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) já representam a União nas tratativas sobre o tema, inclusive em reuniões com os órgãos envolvidos. Mas se diz à disposição para participar de reuniões e auxiliar na coordenação dos encaminhamentos necessários.
Na prática, o governo do Distrito Federal segue isolado sobre o tema. O FGC não empresta os recursos dizendo que teme alimentar um problema, a Fazenda diz não ter a ver com o assunto e o ministro Luiz Fux, do STF, já disse que não vai obrigar uma decisão.
O BRB ficou com um rombo bilionário após operações com o banco Master e até hoje não publicou o balanço de 2025. Leão chegou a falar em meados de agosto que, caso os números sejam publicados antes do empréstimo, o banco será liquidado.
Parlamentares que acompanham o assunto afirmam nos bastidores que a situação do BRB é grave e que, de acordo com relatos de administradores, não há certeza, inclusive, de que a instituição sobrevive até o fim das eleições. Na política local, no entanto, a liquidação é vista como uma saída ruim porque os passivos ficam para o Distrito Federal.