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JOTA Principal | Flávio Bolsonaro busca impulso após ato do 7 de Setembro e nova rodada da Quaest

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JOTA Principal | Flávio Bolsonaro busca impulso após ato do 7 de Setembro e nova rodada da Quaest
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Sem grandes mudanças no cenário de primeiro turno, a rodada da pesquisa Quaest/Globo divulgada ontem (7) mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados numericamente no segundo turno.

A mudança mais importante está na relação de forças, Marianna Holanda e Fabio MuraKawa escrevem na nota de abertura, ao relacionar a pesquisa aos atos do 7 de Setembro.

Em julho, Lula vencia um segundo turno por 45% a 37%; agora, os dois aparecem empatados em 41%. Flávio não virou um fenômeno. Mas conseguiu sobreviver aos próprios problemas enquanto Lula perdeu terreno.

O ato na avenida Paulista ajudou a exemplificar como a crise no Supremo caiu como uma luva para o candidato do PL.

Já Lula, em Brasília, ao lado de Edson Fachin, Davi Alcolumbre e outros personagens da crise, repisou o lema da soberania — longe de aspectos concretos da vida do eleitor, que dá sinais de desalento com a disputa deste ano.

Boa leitura e boa semana.


O PONTO CENTRAL

1. Crise como uma luva

Enquanto Lula tentou dar caráter institucional ao 7 de Setembro, em Brasília, Flávio Bolsonaro transformou a crise no Supremo em combustível político na avenida Paulista — e saiu do feriado com a campanha mais animada, Marianna Holanda e Fabio MuraKawa escrevem no JOTA PRO Poder.

Por que importa: Isso não significa uma arrancada de Flávio, mas indica que a disputa entrou numa fase mais favorável ao candidato do PL e mais nebulosa para Lula.

  • A sucessão de episódios envolvendo Lulinha e Alexandre de Moraes piorou o ambiente para o presidente, reaqueceu o antipetismo e devolveu à direita uma agenda capaz de mobilizar sua base.
  • O senador não despencou quando vieram à tona os áudios e suas relações com Daniel Vorcaro, assim como também não disparou com os problemas que passaram a atingir o adversário.

A crise no Supremo caiu, nesse sentido, como uma luva para o candidato do PL.

  • Moraes é o algoz de Jair Bolsonaro e um personagem que há anos mobiliza a militância da direita.
  • Agora, pela primeira vez, Flávio consegue atacá-lo amparado por uma crise que nasceu dentro do próprio STF e envolve acusações entre ministros da Corte.
  • Isso facilita ao senador encarnar o personagem antissistema sem precisar necessariamente repetir o discurso de ruptura do pai.
  • Há um mal-estar difuso com as instituições, com corrupção e privilégios e, ao mesmo tempo, com aspectos concretos da economia — como o preço dos alimentos, o consumo ainda pressionado e o endividamento das famílias.
  • Flávio tenta juntar esses sentimentos diferentes sob uma mesma narrativa de que o sistema não funciona e precisa ser mudado.

Foi esse o espírito da manifestação de ontem (7) na avenida Paulista, o maior ato de Flávio nesta campanha.

  • O público estimado em 28,5 mil pessoas ficou abaixo dos atos bolsonaristas de 7 de Setembro de 2024 e 2025 e muito distante das grandes mobilizações promovidas quando Jair Bolsonaro estava em liberdade.
  • Flávio disse que pretende “proteger o STF de Alexandre de Moraes” e recuperar a credibilidade do Judiciário. Leia mais.
  • A estratégia é colocar Moraes como alvo, não a instituição.
  • Em vez de exortar a desobediência a decisões judiciais, como Jair Bolsonaro já fez, Flávio tenta se apresentar como alguém capaz de corrigir o sistema por dentro.
  • É uma modulação importante para um candidato que ainda precisa avançar entre os independentes.

Para Lula, a assimetria é quase inversa.

  • Flávio pode fazer campanha contra o sistema, Lula precisa presidir o sistema.
  • No desfile de 7 de Setembro em Brasília, o presidente fez questão de exibir a face institucional do cargo.
  • Teve ao seu lado o presidente do STF, Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o presidente da Câmara, Hugo Motta, o vice-presidente Geraldo Alckmin e boa parte do primeiro escalão do governo.
  • O mote era soberania, acompanhado por temas como o combate à violência contra a mulher e a Copa do Mundo Feminina de 2027. Leia mais na nota seguinte.
  • No público, houve ainda gritos pelo fim da escala 6×1.
  • O presidente não teve participação na raiz do escândalo que agora atinge o ministro — ainda assim, é muito mais difícil para o incumbente escapar do desgaste de uma crise do establishment do que para seu adversário.

🔮 O que observar: Os números da avaliação do governo mostram o tamanho do alerta na campanha petista.

  • Entre as duas últimas rodadas da Quaest, a aprovação do governo caiu de 45% para 43%, enquanto a desaprovação subiu de 48% para 50%.
  • As oscilações estão dentro da margem de erro, mas ocorreram simultaneamente na direção negativa para Lula e abriram um saldo desfavorável de sete pontos a menos de um mês do primeiro turno.
  • Mais preocupante para o Planalto é que o movimento ocorre justamente quando a campanha começa a aumentar a exposição do presidente, período em que o incumbente esperava melhorar sua avaliação.
  • Um influente aliado do presidente ouvido pelo JOTA chegou a dizer ontem (7) que, “a preço de hoje, Flávio será o próximo presidente do Brasil”.
  • A frase traduz a mudança de humor num entorno que até pouco tempo enxergava a reeleição como caminho natural.
  • A cúpula da campanha ainda discute como inverter a curva: há uma percepção cada vez maior de que não basta defender o passado ou enumerar realizações. Lula precisa vender um futuro — e ainda não está claro qual será.

2. Personagens da crise

Na primeira fila, Edson Fachin, Davi Alcolumbre, Rosângela da Silva, Lula e Geraldo Alckmin observam desfile de 7 de Setembro em Brasília / Crédito: Ricardo Stuckert/Divulgação

Lula acompanhou o desfile do 7 de Setembro em Brasília ao lado do ministro Edson Fachin, de Davi Alcolumbre e de Hugo Motta, bem como boa parte dos ministros do governo, Luísa Carvalho registra no JOTA.

  • O evento teve como um dos principais temas a soberania nacional.
  • O assunto, que é um dos motes da campanha de Lula, foi tema de painéis nas fachadas dos ministérios durante a cerimônia e apareceu diversas vezes ao longo do desfile.
  • O 7 de Setembro também foi marcado por manifestações do público pelo fim da escala 6×1 e de apoio ao presidente.

Outros dois personagens da crise envolvendo o caso Master e o Supremo também acompanharam o desfile: Jorge Messias e Andrei Rodrigues.

  • O advogado-geral da União recusou um pedido da PF para recorrer de decisões de Mendonça e é citado como próximo dele por um relatório de inteligência usado por Moraes para pedir a suspeição do colega.
  • Já Rodrigues é citado em mensagens extraídas do celular de Vorcaro em que o ex-banqueiro pede a Moraes que tratasse de sua situação com “Andrei e Paulo” — referências, segundo os investigadores, ao diretor-geral da PF e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
  • O chefe da PF também foi uma das autoridades a quem Fachin pediu esclarecimentos em meio à escalada das tensões no Supremo. Leia mais na nota 4.

Em meio à crise, Lula passou a avaliar a possibilidade de indicar para o Supremo Tribunal Federal o governador interino do Rio, o desembargador Ricardo Couto, Fabio MuraKawa e Marianna Holanda escrevem no JOTA.

  • O presidente também sofre pressões de alas do governo e de setores no Congresso para substituir o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
  • Interlocutores do presidente afirmam, no entanto, que a troca na direção da PF não deve ocorrer por ora.
  • Isso porque, ao fazer esse movimento no atual contexto, ele atrairia ainda mais para o Planalto a crise que se abateu sobre o Supremo.

3. Sua excelência, o eleitor

Apoiadores de Flávio Bolsonaro durante o ato na avenida Paulista / Crédito: Charles Vieira/Divulgação

O comício de Flávio Bolsonaro foi mais um exemplo de uma campanha até agora marcada pela ausência de empolgação e de comprometimento por parte do personagem principal: o eleitor, Beto Bombig escreve no JOTA.

  • Mesmo a “militância partidária” tem dado sinais de desalento e abandonado arquibancadas antes da hora, como ocorreu no ato de lançamento da campanha de Lula, no estádio de Vila Euclides.
  • No início de agosto, na convenção que homologou a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição, foi constrangedor ver o candidato — líder disparado nas pesquisas — discursar para um ginásio do Ibirapuera que se esvaziava na velocidade de um tanque d’água perfurado por uma broca de petróleo.
  • No final de julho, em Campinas (SP), um petista vindo de longe comentou nunca ter visto um evento tão sem emoção quanto o de lançamento da chapa de Fernando Haddad ao Bandeirantes.

Ao fim e ao cabo, os dois extremos da polarização dão sinais de esgotamento no primeiro mês da atual campanha.

  • Muita raiva, muito “fora isto, fora aquilo” e pouca capacidade de despertar algum brilho no olhar do eleitor por parte dos principais colocados nas pesquisas para presidente.
  • Talvez essa fadiga de material explique, ao menos em parte, os índices de Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) nas pesquisas.

Por que importa: Se esse estado de ânimo (ou de espírito) dos brasileiros se transformar em alta abstenção, aí sim poderemos ter alguma surpresa.

  • Ainda é cedo para sabermos se esta será uma eleição de continuidade ou de mudança, de surpresas ou de mais do mesmo, de esperança ou de contra tudo que está aí.
  • Mas já é possível afirmar que ela, por ora, não arrasta multidões de corações e mentes.
  • Engajar eleitores e tirá-los da letargia passou a ser um fator determinante a partir de agora.

4. Próximos capítulos

Sessão do Supremo na semana passada / Crédito: Gustavo Moreno/STF

A crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça terá novos desdobramentos nesta semana, com o fim do prazo para manifestação nos casos que envolvem os dois ministros.

  • Até o fim da semana, Moraes, Mendonça, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, devem apresentar informações que ajudem a esclarecer suspeitas sobre irregularidades.
  • As manifestações serão importantes para definir os próximos passos.

🔖 Leia mais:


JOTINHAS TRIBUTÁRIAS

5. Ecos da reforma e mais

  • A arrecadação é uma das principais preocupações da Prefeitura de São Paulo com a implementação da reforma tributária. Segundo o secretário municipal da Fazenda, Luis Felipe Vidal Arellano, a mudança na forma de distribuição das receitas pode afetar as finanças do município, que hoje concentra a maior arrecadação de ISS do país. A preocupação decorre tanto da perda de governabilidade sobre a legislação do tributo como do perfil do município, que é mais exportador de serviços e mercadorias do que importador.“Pelas nossas contas, num cenário em que a gente não tivesse revolução da economia e simplesmente mudasse a regra de arrecadação, a gente está falando de uma perda que poderia ir de 50% a dois terços da arrecadação do município de São Paulo nas rubricas de ISS mais cota-parte do ICMS, que são, respectivamente, a primeira e a terceira fonte de receita do município”, disse Arellano no evento Diálogos Tributários, promovido pelo JOTA na semana passada. O secretário também atua como 1º vice-presidente do Comitê Gestor do IBS desde março. Leia mais.
  • A 1ª Turma da Câmara Superior do Carf derrubou cobranças de IRPJ e CSLL contra a Petrobras por suposto descumprimento de regras de preços de transferência. O processo discutiu deduções de despesas com contratos de direito de afretamento de plataformas de produção de petróleo e gás natural firmados com empresas vinculadas no exterior. De acordo com documento público da empresa, os valores em discussão totalizam R$ 3,4 bilhões.O contribuinte aplicou o método de Preços Independentes Comparados (PIC) ao realizar os ajustes de preços de transferência. Contudo, a fiscalização considerou inadequada a utilização do PIC e fez ajustes adicionais utilizando o índice Roace (Retorno sobre o Capital Médio Empregado, na sigla em inglês) para definir a taxa de retorno do investimento.O caso subiu por meio de um recurso especial da Fazenda Nacional contra decisão favorável à Petrobras na segunda instância administrativa. Em agosto de 2025, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção rejeitou de forma unânime o uso do índice Roace, mantendo a conclusão do colegiado de piso. Leia mais.
  • A 3ª Turma da Câmara Superior do Carf cancelou uma multa aduaneira de 1% contra a Diageo Brasil por prestação de informação inexata em declarações de importação (DIs) no período de 2016 a 2019. Os julgadores afastaram a penalidade em cumprimento ao artigo 181 da lei complementar 227/26, um dos textos responsáveis pela regulamentação da reforma tributária, que revogou os dispositivos que tratavam da sanção (artigo 84 da medida provisória 21.58-35/01 e artigo 69 da lei 10.833/03). O resultado se deu por unanimidade. Leia mais.
  • O Partido Verde ajuizou uma ADI com pedido de medida cautelar contra dispositivos da lei complementar 227/26. A ação argumenta que as normas ultrapassam os limites e restringem competências administrativas dos estados e do Distrito Federal traçados pela Emenda Constitucional 132/2023, que propõe um modelo de cooperação e coordenação interfederativa, mas preserva a autonomia de estados e municípios para gerir e organizar seu próprio fisco. Leia mais.
  • A 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça excluiu o IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) da base de cálculo que limita a dedução do JCP (Juros sobre Capital Próprio). O entendimento favorável à empresa foi formado com placar de 3×2 a partir da divergência aberta pelo ministro Gurgel de Faria. O relator, ministro Paulo Sérgio Domingues, ficou vencido.A discussão trata da interpretação do artigo 9º da lei 9.249/95, especialmente quanto à definição do lucro líquido que serve de base para o limite de dedutibilidade do JCP, fixado em 50%. A controvérsia é decorrente de fatos geradores ocorridos em 1996, único ano em que o artigo vigorou permitindo a capitalização do JCP. Leia mais.

6. Esqueça-me

O atacante Gabriel Barros, do América-MG, que conseguiu uma liminar favorável para uma bet deixar de usar o nome dele em apostas / Crédito: Mourão Panda/América MG

Jogadores de futebol obtiveram ao menos quatro liminares favoráveis e uma contrária ao questionarem a exploração de seus atributos profissionais por bets, Carolina Maingué Pires informa no JOTA.

  • As decisões foram em ações na Justiça estadual de São Paulo e de Minas Gerais.
  • Outros processos sobre o assunto também correm no Pará e em Alagoas, ainda sem decisões.

⚽ Panorama: As ações que obtiveram liminares favoráveis foram movidas por Gabriel Barros, do América-MG; Guilherme Costa Marques, do Atlético-GO; Gustavo Vilar, do Botafogo-SP; e Ricardo Bueno, do Pouso Alegre.

  • Eles conseguirem decisões para que a Cassino Bet, a Verabet, a HS do Brasil (dona da Bet365) e a Kaizen Gaming Brasil (dona da Betano), respectivamente, se abstenham de utilizar sua identidade esportiva, nome, imagem e quaisquer outros atributos que os identifiquem, sob pena de multa.
  • Duas das decisões que contemplam os jogadores já foram questionadas na segunda instância (nos processos movidos por Bueno e Vilar, em São Paulo), mas foram mantidas pelos desembargadores.

Os jogadores que decidiram enfrentar as bets afirmam que, além de não terem autorizado a cessão de imagem, não recebem nada por serem citados nos sites e aplicativos de apostas.

  • Marcelo Robalinho, sócio do RA Law e responsável pelas ações, disse ao JOTA que alguns jogadores já eram clientes do escritório e começaram a relatar perseguição nas redes por conta de apostadores frustrados.
  • Conforme Robalinho, os usuários apostavam que tal jogador faria um gol, ou acertaria um determinado passe, o que muitas vezes não se concretizava, resultando em ameaças e coerções.