Ministros aposentados pedem sessão pública do STF para determinar ‘rigorosa’ apuração sobre caso Master

Treze ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal (STF) enviaram na segunda-feira (7/9) um abaixo assinado ao atual presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo para que marque uma sessão pública do Pleno do Tribunal a fim de determinar a “imediata e rigorosa apuração”, dos “gravíssimos fatos” que vem “comprometendo o prestígio e a autoridade” do tribunal. Entre os que assinam a carta estão os ex-presidentes do STF Rosa Weber, presidente durante a crise do 8 de janeiro, e Joaquim Barbosa, que conduziu o processo do Mensalão.
Sem citar nomes específicos, o grupo pede urgência no julgamento do Plenário para a investigação dos fatos. Diz ainda confiar na “serenidade, discernimento e firmeza” de Fachin na condução do que eles classificam como a “mais aguda crise” da história do STF.
Ainda segundo os ministros aposentados, a situação vem comprometendo a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas.
A carta se dá após a escalada na crise dentro da Corte, quando um relatório da Polícia Federal, feito a mando do ministro André Mendonça, mostrou que o ministro Alexandre de Moraes trocou mensagens e supostamente se encontrou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente por fraudes no Banco Master.
Com os achados da PF, Mendonça pediu para Fachin abrir investigação contra o colega. Em resposta à investida de Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse que a apuração é nula porque o plenário não foi consultado sobre a investigação, conforme determina a lei.
Na sequência, Moraes também pediu a abertura de um inquérito contra Mendonça alegando “fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos. O pedido se deu no polêmico inquérito das fake news.
Nesta terça-feira (8/9), o ministro André Mendonça decidiu afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sob o fundamento de “superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência'” usados por Alexandre de Moraes para pedir investigação contra ele.
Assinam a carta ministros Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber. O grupo é formado por indicados por diversos presidentes da República, como João Figueiredo, José Sarney, Fernando Collor, Lula e Dilma.
Leia a íntegra da manifestação dos ministros aposentados do STF
A S. E. o Ministro Edson Fachin, Presidente do Supremo Tribunal Federal.
Senhor Ministro Presidente, Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de Vossa Excelência na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história, e a absoluta convicção de que designará, com toda a urgência, sessão pública para que o Tribunal Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até mesmo a estabilidade das instituições democráticas.
Em 8 de setembro de 2026,
Néri da Silveira
Francisco Rezek
Sydney Sanches
Celso de Mello
Carlos Velloso
Ilmar Galvão
Nelson Jobim
Ellen Gracie
Cezar Peluso
Ayres Britto
Joaquim Barbosa
Eros Grau
Rosa Weber