O caminho para Flávio tirar Bolsonaro da prisão começou com o julgamento do STF

O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) não esconde de ninguém o sobrenome, ainda que queria tentar um rebranding da marca do clã, associada a radicalismos e polêmicas. Também diz, sempre que pode, que subirá a rampa do Palácio do Planalto ao lado do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que lhe passará a faixa presidencial.
A prioridade do senador será tirar o pai da prisão – onde se encontra, mesmo que em casa, há um ano – e ela começou com a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciada na terça-feira (15/9).
Ainda que o julgamento da tentativa de golpe de Estado, pelo qual Jair foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, nada tenha a ver com o escândalo do banco Master, esta é uma fresta que se abre para questionamento dos processos envolvendo a condenação do ex-presidente e dos generais.
Mais além, aliados do presidenciável do PL acham que abre a possibilidade futura de rever condenações dos ataques golpistas às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
O próprio ministro Alexandre de Moraes, numa tentativa de se salvar, apresentou uma defesa construída na lembrança de seu papel no julgamento do golpe.
Segundo o magistrado, trata-se de vingança dos golpistas. Moraes concluiu sua defesa, apresentada às vésperas do plenário do STF decidir se abriria uma investigação contra ele, dizendo que a tentativa de golpe não se encerrou e que mudou o modus operandi. Amarrou seu passado com o futuro.
Em outra frente, é evidente, até mesmo em pesquisas, que as acusações que pairam contra Moraes têm fortalecido eleitoralmente Flávio. O agregador de pesquisas do JOTA ainda aponta para favoritismo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para vencer a eleição, mas o presidente tem recuado em alguns levantamentos nas últimas semanas.
Uma vitória do senador significaria uma vitória sobre Moraes, que, se não for afastado neste ano, corre o risco de não ter vida longa na Corte. O bolsonarismo quer vingança. Para o julgamento do golpe, com a vitória de Flávio, pode haver uma reversão das condenações – e até mesmo do perfil da Corte, para a qual ele poderá indicar até cinco magistrados, nas contas do próprio presidenciável, que já contabiliza a saída de Moraes.
Por fim, um caminho potencialmente mais curto pode ser a concessão de indulto ou a aprovação de uma anistia no Congresso. Esta será uma prioridade do senador, lembrete de que se trata de um Bolsonaro e que a PEC sobre ajuste fiscal não será seu único foco no Parlamento, após uma eventual vitória.
O Congresso chegou a aprovar a lei da dosimetria, mas Moraes suspendeu, em maio, a aplicação da lei.
Flávio vai tentar aprovar uma lei da anistia ainda neste ano, segundo auxiliares, para buscar cumprir a promessa de que subirá a rampa ao lado do pai em 5 de janeiro. E, com isso, tirar da cadeia generais que também tentaram golpe e, pela primeira vez na história deste país, foram punidos, como o general Walter Braga Netto e o almirante Almir Garnier.
Com isso, Flávio também atende a um pedido do pai feito em manifestação na Avenida Paulista no ano passado: o de passar uma borracha em tudo que aconteceu.