Palver mostra Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula no segundo turno

O segundo levantamento da Palver sobre a corrida presidencial, divulgado nesta quarta-feira (9/9), mostra um quadro de crescente insatisfação com o governo: 56% classificam a gestão de Lula como ruim ou péssima, enquanto 40% a consideram ótima ou boa. Apenas 4% atribuem conceito regular. Na leitura binária, 57% desaprovam, contra 42% que aprovam o presidente.
Nos cenários estimulados, Lula aparece sem vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL). No segundo turno, Flávio concentra a maior parcela do campo oposicionista e ultrapassa Lula numericamente, embora os dois permaneçam tecnicamente empatados dentro da margem de erro da pesquisa.
Um dos principais dados da pesquisa mostra que Lula e Flávio Bolsonaro são escolhidos por razões distintas: 28% dos eleitores de Flávio mencionam a rejeição a Lula e ao PT, enquanto 9% dos eleitores de Lula citam a rejeição a Bolsonaro e à direita.
A pesquisa entrevistou 5.000 eleitores pela internet, recrutados nas redes sociais, entre 4 e 7 de setembro. Considerando o efeito do desenho amostral da sondagem, a amostra efetiva é de 1.527 entrevistas. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, e o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-05420/2026.
Empate numérico no 1º turno
No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece empatado numericamente com Flávio Bolsonaro: os dois registram 40%, enquanto Renan Santos (Missão) tem 11% e Augusto Cury (Avante), 4%. No segundo cenário testado pela consultoria, com uma lista sem trazer o nome de Pablo Marçal (PRTB), Lula mantém 40% e Flávio oscila para 39%. Renan permanece com 11% e Cury, com 4%. Os demais candidatos somam 3%.
Há um mês, no principal cenário, Lula batia 44% e Flávio Bolsonaro, 40%. Na comparação, Lula recuou quatro pontos, enquanto Flávio permaneceu no mesmo patamar, segundo a pesquisa.
Flávio supera Lula no 2º turno
No confronto direto entre Lula e Flávio, o senador aparece agora numericamente à frente, com 46% contra 44%, mas os dois permanecem empatados dentro da margem de erro. Outros 10% se dividem entre votos brancos, nulos, eleitores que não votariam e os que não sabem.
Há um mês, Lula e Flávio também apareciam empatados, com 46% para cada um. Na comparação, a pesquisa mostra estabilidade no segundo turno: Flávio Bolsonaro avança numericamente, mas a diferença permanece dentro da margem de erro.
A vantagem de Lula no segundo turno só aparece nos cenários contra nomes alternativos da direita. Contra Augusto Cury (Avante), o presidente marca 42%, ante 30% do escritor. Diante de Romeu Zema (Novo), o placar é de 43% a 42%, enquanto contra Ronaldo Caiado (PSD) Lula tem 43%, contra 40% do ex-governador – em ambos os casos empate técnico. Frente a Renan Santos (Missão), a diferença é maior: 43% a 31%.
No conjunto, o principal movimento observado é a perda de apoio de Lula nos cenários testados. Na comparação com a sondagem de agosto, o presidente aparece agora 2 a 3 pontos percentuais abaixo nesses confrontos, embora todas as variações estejam dentro da margem de erro.
Antipetismo pesa três vezes mais que antibolsonarismo
Um dos principais dados da pesquisa está na medição das razões que levam o eleitor a escolher cada candidato. A pesquisa pediu aos entrevistados que descrevessem, em poucas palavras, o motivo de sua escolha. Entre os eleitores de Flávio, 28% citam a rejeição a Lula e ao PT, principal justificativa, à frente de “melhor opção, sem razão específica”, mencionada por 18%.
As razões diretamente associadas ao candidato aparecem em proporção menor: ideologia, 8%; propostas e preparo, 6%; e honestidade e combate à corrupção, 5%. Considerando também as categorias de rejeição aos dois candidatos e voto útil, cerca de 38% das justificativas do voto em Flávio estão relacionadas a uma motivação negativa ou defensiva.
Entre os eleitores de Lula, a principal resposta é “melhor opção, sem razão específica”, com 29%. Causas sociais e defesa do povo aparecem com 13%, enquanto a avaliação positiva do governo é citada por 7%. Outros 9% justificam o voto pela rejeição a Bolsonaro e à direita.
O contraste entre as duas bases aparece sobretudo nas motivações negativas. 28% dos eleitores de Flávio mencionam a rejeição a Lula e ao PT, contra 9% dos eleitores de Lula que citam a rejeição a Bolsonaro e à direita. As duas bases, portanto, apresentam padrões distintos de justificativa no segundo turno.
Também há diferença nas razões positivas: 12% dos eleitores de Lula citam propostas e preparo, o dobro dos 6% registrados entre os eleitores de Flávio.
Sobre a pesquisa
A Palver entrevistou 5.000 participantes recrutados por meio de anúncios em redes sociais, entre os dias 4 e 7 de setembro. Considerando o efeito do desenho amostral da sondagem, a amostra efetiva é de 1.527 entrevistas. A margem de erro é de 3 pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-05420/2026.