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Pesquisa clínica: diferencial estratégico para inovação em saúde no Brasil

JOTA·
Pesquisa clínica: diferencial estratégico para inovação em saúde no Brasil

A capacidade de um país de inovar na área da saúde se reflete em sua habilidade de desenvolver e disponibilizar novas terapias aos pacientes, ao mesmo tempo em que promove as condições necessárias para o progresso científico contínuo.

Isso depende, sobretudo, da existência de um ambiente capaz de produzir conhecimento, atrair investimentos, formar profissionais qualificados e transformar ciência em benefício concreto para pacientes e toda a classe médica. E é justamente nesse contexto que a pesquisa clínica ocupa uma posição estratégica e abre caminhos para cuidados mais precisos em um futuro já não tão distante.

Com notícias da Anvisa e da ANS, o JOTA PRO Saúde entrega previsibilidade e transparência para empresas do setor

Os dados mais recentes do estudo Interfarma/IQVIA indicam um avanço importante para o Brasil. O país passou da 18ª posição em 2025 para a 12ª no ranking global de estudos clínicos iniciados no período parcial de 2026. Apesar de serem dados parciais de 2026 e que estão sujeitos a atualização no Clinical Trials, não há como negar que eles sugerem que o país está construindo condições mais favoráveis para ampliar sua participação na pesquisa global.

Como médico e líder da indústria farmacêutica de inovação, acompanho esse movimento com entusiasmo e também com a perspectiva de quem observa seus efeitos no cotidiano: a evolução do marco regulatório e legal da pesquisa clínica (Lei 14.874/2024) trouxe mais previsibilidade aos processos e começou a fortalecer a competitividade do país na atração de estudos clínicos globais.

Para pacientes, previsibilidade significa que estudos bem planejados podem ser avaliados e iniciados com maior clareza de etapas, sempre sob critérios éticos e científicos. Participar de uma pesquisa clínica é uma decisão individual e voluntária; para quem escolhe fazê-lo, pode representar a possibilidade de acesso à inovação e a acompanhamento especializado, além de alternativas investigacionais.

Para profissionais e centros, significa integração a redes de conhecimento, desenvolvimento de competências, oportunidades de crescimento e construção de carreiras científicas mais sustentáveis. Para a indústria, é um espaço sólido para produzir dados relevantes a partir da diversidade da população brasileira e fomentar a inovação para necessidades não atendidas e importantes de saúde.

O Brasil reúne atributos importantes para esse avanço: é a 7ª maior população do mundo, o 9º maior mercado farmacêutico e possui o 1º maior PIB da América Latina. Esses dados, somados à diversidade populacional e a pesquisadores e instituições capazes de contribuir de forma qualificada, formam uma base consistente para que o país amplie seu protagonismo. A projeção do estudo indica que, ao alcançar a 10ª posição global em cinco anos, o Brasil poderá movimentar aproximadamente R$ 2,1 bilhões por ano em investimentos relacionados à pesquisa clínica e ampliar o alcance dos estudos para cerca de 286 mil pacientes.

Mais do que uma posição em rankings, esse avanço representa a consolidação de um ecossistema de inovação. Na AbbVie, empresa global em mais de 170 países, estamos vendo esse movimento acontecer — o Brasil ganhou destaque neste último ano, atraindo investimento e priorização de estudos clínicos globais. Até 2030, a companhia anunciou que planeja investir aproximadamente R$ 430 milhões no país somente nessa área, com foco em oncologia e imunologia. Na prática, isso significa mais investimentos no Brasil e agilidade em disponibilizar novos tratamentos ao paciente certo no momento certo.

Ainda no recente estudo publicado pela Interfarma, vemos que o tempo global de tramitação no eixo ético caiu de 53 dias úteis, em novembro de 2025, para 39 dias úteis, em março de 2026. Nesse intervalo, CEPs acreditados emitiram 1.965 pareceres, com cerca de 90% das conferências documentais e mais de 93% das análises realizadas dentro dos prazos legais.

Esses dados tão positivos devem servir como mais um trampolim e oportunidade para reconhecer o que está funcionando e preservar uma agenda capaz de dar continuidade a esse movimento, sem deixar de olhar para os desafios. Consolidar esse avanço, agora, exige preservar a previsibilidade regulatória, fortalecer a integração entre governo, academia, centros de pesquisa, indústria e profissionais de saúde e ampliar a capacidade de realização de estudos em diferentes regiões do país. A descentralização da pesquisa clínica representa uma oportunidade para expandir o acesso à inovação, fortalecer novas redes de pesquisa e incorporar ainda mais diversidade à produção de conhecimento científico.

Outro aspecto que considero essencial é ampliar a conscientização sobre o papel da pesquisa clínica. Pacientes, familiares e a sociedade precisam compreender que os estudos clínicos fazem parte da construção da medicina do futuro. Cada pesquisa conduzida com rigor metodológico e compromisso ético representa um passo na geração de evidências que poderão beneficiar milhares de pessoas nos próximos anos.

Na AbbVie, acreditamos que a inovação se constrói por meio da colaboração e informação de qualidade. Por isso, seguimos investindo em pesquisa clínica e no fortalecimento de parcerias com centros de pesquisa e pesquisadores brasileiros em todas as regiões do Brasil, confiantes na capacidade do país de contribuir para o desenvolvimento de novas terapias. Isso está ajudando a atender a importantes necessidades não atendidas e a melhorar a qualidade de vida dos pacientes, especialmente em doenças complexas com opções limitadas de tratamento, como câncer de ovário, câncer colorretal, cânceres hematológicos, vitiligo e outras doenças imunomediadas.

O Brasil está construindo bases mais sólidas para ocupar uma posição cada vez mais relevante na pesquisa clínica global. Transformar esse momento em uma trajetória sustentável dependerá da continuidade de uma agenda baseada em ciência, colaboração e compromisso com o paciente. Quando esses elementos caminham juntos, fortalecemos não apenas a pesquisa clínica, mas todo o ecossistema de inovação em saúde e a capacidade do país de responder aos desafios do presente e do futuro.