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Quaest: eleitor começa a decidir, e disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro esquenta

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Quaest: eleitor começa a decidir, e disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro esquenta

O levantamento da Quaest, encomendado pela TV Globo e divulgado nesta quarta-feira (2/9), mostra que a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou de vez ao eleitorado. O principal sinal disso está na forte redução dos indecisos na pesquisa espontânea: eles caíram de 51% para 42% em apenas duas semanas.

É um movimento importante. A eleição começa a entrar na boca do povo. O eleitor já forma uma primeira ideia sobre em quem pretende votar e, quando consegue citar espontaneamente um candidato, é sinal de que a escolha já começou a ser processada. É um voto potencialmente mais consolidado.

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No principal cenário de primeiro turno, Lula lidera com 37%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 29%. Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro, com 10%, enquanto Renan Santos (Missão) tem 3%. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) registram 1% cada. Indecisos somam 11%, e brancos, nulos e abstenções, 7%.

Essa consolidação, porém, não beneficiou apenas os dois líderes. Cury avançou e assumiu a terceira posição na corrida, enquanto Zema, Caiado e Renan perderam espaço para acomodar esse movimento. É um primeiro sinal de que parte do eleitor que começa a sair da indecisão está procurando uma alternativa à polarização.

No topo, a disputa também esquentou. Lula aparece com 42% e Flávio Bolsonaro com 41% na pesquisa de segundo turno. Os dois estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro. E não é apenas a intenção de voto que aponta para uma corrida apertada: os dois também estão muito próximos nos índices de rejeição.

Esse é um indicador que merece atenção. A rejeição virou uma disputa à parte, com cada lado tentando transferir para o adversário o maior desgaste possível. A rejeição a Lula subiu de 52% para 53%, enquanto a de Flávio avançou de 54% para 55%. Na prática, os dois chegam a esta etapa da corrida com níveis elevados de rejeição e sem que nenhum consiga abrir uma vantagem clara nesse terreno.

É justamente essa combinação que torna o cenário tão aberto. A intenção de voto está apertada, a rejeição está apertada e o eleitorado ainda está em processo de definição. Pequenos movimentos podem ter impacto relevante sobre a disputa nas próximas semanas.

Outro indicador que dá um tom mais desfavorável à narrativa de continuidade do governo Lula é a aprovação. Neste momento, 45% aprovam o governo, ante 46% há duas semanas, enquanto 48% desaprovam. É uma trajetória desfavorável ao presidente e que coloca a aprovação no limite do patamar que os modelos baseados em fundamentos políticos costumam indicar como necessário para uma reeleição confortável.

A eleição, portanto, começa a pegar fogo – mas ainda está longe de estar definida. Os indecisos diminuíram, a disputa entre Lula e Flávio apertou e um nome associado à chamada terceira via, Augusto Cury, começa a capturar parte do eleitor que busca uma alternativa à polarização.

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Mas há uma mudança importante na natureza da disputa: a reta final será cada vez menos sobre despertar o eleitor e mais sobre convencê-lo a escolher um lado. Com menos indecisos, cada ponto conquistado terá de sair, em boa medida, do eleitor que já está inclinado a outro candidato.

A pesquisa Globo/Quaest entrevistou, por telefone, 2.004 pessoas entre 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-07065/2026.