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União entra com ações contra bets e pede R$ 1 bilhão de indenização

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União entra com ações contra bets e pede R$ 1 bilhão de indenização

A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com ação civil pública contra 17 empresas de bets e requer ressarcimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) por despesas atribuídas aos danos causados pelo jogo. A ação também pede R$ 1 bilhão de indenização por danos morais coletivos e restituição em dobro dos valores apostados por pessoas diagnosticadas com ludopatia (vício em jogo).

O pedido foi feito na Justiça Federal de Pernambuco no mesmo dia em que associações de bets foram ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a proibição da atividade no Brasil.

A AGU ressalta que as bets estão proibidas no Brasil desde a publicação da Medida Provisória 1394/2026 na sexta-feira (25/9).

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De acordo com a União, as apostas online agravaram “de forma avassaladora” o quadro de saúde mental da população, impactando o próprio sistema de saúde pública.  A ação registra que cerca de 28 milhões de brasileiros apostam atualmente e que 10,9 milhões apresentam padrão de risco. Entre janeiro de 2018 e dezembro de 2025, os atendimentos do SUS ligados aos diagnósticos de jogo patológico e comportamento de jogo excessivo cresceram aproximadamente 140%.

A União argumenta ainda que a compensação prevista pela legislação para as bets é insuficiente para cobrir os custos do sistema de saúde. Das destinações obrigatórias sobre a receita das operadoras, apenas 0,12% vão para o Ministério da Saúde, o que representou, cerca R$ 50 milhões no último exercício.

A AGU estima que estudos preliminares do Ministério da Saúde indicam prejuízo de R$ 2,6 bilhões ao SUS por conta da ludopatia. Na mesma petição, a AGU traz outro estudo do Ministério da Saúde que aponta que os problemas decorrentes das apostas afetam, em média, outras seis pessoas próximas ao apostador e estão associados a riscos de endividamento, agravamento da saúde mental e violência familiar.

A peça também traz estimativa do Ministério da Fazenda de que, somente em 2025, as apostas tenham retirado cerca de R$ 62,5 bilhões dos orçamentos das famílias brasileiras.

A ação destaca o superendividamento associado ao jogo, em especial, entre pessoas em situação de vulnerabilidade.  Por isso, a União pede que as empresas sejam condenadas a restituir em dobro os valores apostados por pessoas diagnosticadas com ludopatia, tanto nos casos em que as plataformas mantiveram o acesso mesmo depois do diagnóstico como nos casos em que elas deixaram de agir quando havia sinais da doença.

A União requer ainda que essas apostas sejam declaradas nulas, e que sejam consideradas ineficazes cláusulas contratuais que transfiram integralmente ao apostador o risco financeiro ou restrinjam o direito à restituição.

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As 17 empresas citadas são:

  • Kaizen Gaming Brasil Ltda. (Betano);
  • HS do Brasil Ltda. (Bet365);
  • SPRBT Interactive Brasil Ltda. (Superbet);
  • Ventmear Brasil S.A. (Sportingbet);
  • Esportes Gaming Brasil Ltda. (Esportes da Sorte e Onabet);
  • Foggo Entertainment Ltda. (Blaze);
  • NSX Brasil S.A. (Betnacional);
  • EB Intermediações e Jogos S/A. (Estrelabet);
  • Ana Gaming Brasil S.A. (7K e Cassino);
  • OIG Gaming Brazil Ltda. (7Games e Betão);
  • BPX Bets Sports Group Ltda. (Vaidebet);
  • H2 Licensed Ltda. (H2 Bet);
  • Pixbet Soluções Tecnológicas Ltda. (Pixbet);
  • NVBT Gaming Ltda. (Novibet);
  • SevenX Gaming S/A. (Bullsbet);
  • NSX Betfair Brasil S.A. (Betfair);
  • Apollo Operations Ltda. (KTO).

Procurado pelo JOTA, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) informou que não irá se pronunciar sobre a ação.