Constitucional

Douglas Ruas e Eduardo Paes disputarão 2º turno no Rio de Janeiro

JOTA·
Douglas Ruas e Eduardo Paes disputarão 2º turno no Rio de Janeiro

O deputado estadual Douglas Ruas (PL) e o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) disputarão o segundo turno das eleições para o governo do Rio de Janeiro. Com 100% das urnas apuradas, Ruas contabilizava 49,27% dos votos válidos, enquanto Paes tinha 42,76%

Anthony Garotinho (Republicanos) tinha 3,17%, mas sua candidatura está sub judice após decisões conflitantes de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas

A poderosa máquina montada pelo bolsonarismo no estado a partir de 2018 freou as ambições do ex-prefeito carioca, que viu Ruas, antes desconhecido do eleitor, avançar nas pesquisas ao longo da campanha. Com isso, a população fluminense deverá, no domingo do dia 25 de outubro, decidir quem comandará o governo estadual a partir de 2027.

A disputa pelo governo do Rio de Janeiro foi marcada por uma série de peculiaridades. Além do amplo arco de alianças, Paes, que teve o apoio do presidente Lula (PT), também se viu beneficiado por uma série de escândalos e contratempos no campo bolsonarista.

O favorito do bolsonarismo para disputar o Palácio da Guanabara era o deputado estadual Rodrigo Bacellar, que presidiu a Alerj até o ano passado, mas acabou preso em uma operação da Polícia Federal sob a suspeita de liderar o núcleo político do Comando Vermelho e tentar obstruir investigações. Os colegas dele de Assembleia depois votaram para revogar a prisão, mas a presidência da Alerj ficou vaga.

Com a renúncia do ex-governador Cláudio Castro, que pretendia disputar o Senado com o apoio da família Bolsonaro, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) assumiu o governo. Em abril Ruas foi eleito para presidir a Alerj, sob a expectativa de assumir o governo estadual e ter o controle da máquina durante as eleições.

A essa altura, o comando do governo estadual já havia sido judicializado e o Supremo Tribunal Federal (STF) precisava decidir se haveria eleição direta e indireta para o mandato-tampão, até o final do ano. Sem decisão, o Supremo decidiu que Couto deveria ficar no cargo até o julgamento final — que não aconteceu.

Já Castro ficou inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após ser condenado por abuso de poder político e econômico na eleição anterior. Bacellar também acabou inelegível.

Com o bolsonarismo fora do comando direto da máquina estadual, os caminhos se abriram ainda mais para Paes, que já vinha despontando como favorito nas pesquisas. Mas, apesar dos imprevistos e do desconhecimento da população, Ruas se apresentou como novidade na política e, valendo-se do apoio do senador Flávio Bolsonaro e do enraizamento do bolsonarismo no estado, avançou nas pesquisas.

Natural de São Gonçalo (RJ), Douglas Ruas tem 37 anos, é bacharel em Direito, inspetor licenciado da Polícia Civil do Rio de Janeiro e novato na política institucional. Filho do atual prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), foi secretário de Gestão Integrada e Projetos Especiais do município entre 2021 e 2022.

Elegeu-se deputado estadual nas eleições de 2022, mas licenciou-se do mandato no ano seguinte para assumir a Secretaria das Cidades do governo Castro. Retornou à Alerj em março de 2026 e, em abril, foi eleito presidente da Casa — mesmo sem nenhuma experiência parlamentar.

Já Paes, de 56 anos, tenta pela segunda vez chegar ao Palácio da Guanabara. Na primeira, em 2018, chegou ao segundo turno como favorito, após dois mandatos marcados pela preparação da capital para as Olimpíadas 2026 e amplas reformas urbanas, mas perdeu para o novato Wilson Witzel, o ex-juiz federal que surfou as ondas do bolsonarismo e lavajatismo.

Dois anos depois, após um período na iniciativa privada, Paes decidiu disputar novamente a Prefeitura do Rio de Janeiro. Obteve êxito contra o ex-prefeito Marcelo Crivella, que concluía um primeiro mandato com baixos índices de aprovação. No começo do terceiro mandato, migrou para o PSD de Gilberto Kassab, passando a integrar um partido sem poderosas figuras locais. Com isso, ganhou autonomia para montar um grupo político para chamar de seu por todo o estado, trazendo junto de si antigos aliados e novos personagens da política.

Diante do domínio do bolsonarismo no estado, preferiu não disputar as eleições de 2022 para o governo fluminense. Venceu ainda no primeiro turno Cláudio Castro, o vice de Witzel que havia assumido o poder. E Paes permaneceu na Prefeitura do Rio de Janeiro, cargo para o qual se reelegeu em 2024.

Em meio às articulações para chegar ao Palácio da Guanabara, liderou uma administração bem avaliada, repetindo a dobradinha com o presidente Lula (PT), de quem se aproximara ainda nos preparativos para as Olimpíadas, e trouxe importantes projetos e investimentos para a capital. Transformou sua gestão na cidade do Rio de Janeiro em sua principal vitrine do que poderia ser feito no governo do estado, tomado por escândalos de corrupção e penúria financeira.

Assine gratuitamente a newsletter Últimas Notícias do JOTA e receba as principais notícias jurídicas e políticas do dia no seu email

Além disso, aproximou-se tanto de antigos opositores da esquerda quanto de evangélicos conservadores fora da capital. Os tentáculos de sua articulação se infiltraram até nos redutos mais bolsonaristas, como a Baixada Fluminense, aproximando Paes de importantes figuras locais antes vinculadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O resultado desse movimento culminou na escolha de Jane Reis (MDB), irmã de Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias — que pretendia disputar as eleições de 2022 como vice de Cláudio Castro, mas ficou inelegível.