Nunes Marques diz que El Niño e abstenção são principais preocupações para 2º turno

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, disse que para o 2º turno as principais preocupações são com situações climáticas geradas pelo El Niño e abstenção. Em sua avaliação, não houve indícios de interferência estrangeira no 1º turno e o diálogo com as plataformas permitiu que não houvesse problemas com desinformação e redes sociais.
A interferência estrangeira é uma das principais questões discutidas nas eleições de 2026. As preocupações sobre a atuação internacional no pleito do Brasil cresceram a partir de ações e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de integrantes do governo norte-americano. Um dos riscos que vinham sendo apontados era a ação das big techs. A jornalistas, Nunes Marques fez questão de dizer que as plataformas têm colaborado com a Justiça Eleitoral e que as regras feitas pela Justiça Eleitoral são boas e eficientes.
Nunes Marques se recusou a falar sobre as decisões conflituosas entre membros do colegiado do TSE e entre o TSE e o Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o pleito, ocorreram diversos casos de liminares de ministros derrubadas dentro do tribunal – como no caso de Deltan Dallagnol – e também de liminares do TSE cassadas pelo STF – como no caso dos posts da padroeira do Brasil e o candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).
Na avaliação do presidente do TSE, os principais desafios são as condições climáticas por conta do El Niño, o que pode levar a ter mudança em locais de votação, principalmente por conta de chuvas e alagamentos.
Outra questão que a Justiça eleitoral vai focar é a abstenção, que, no primeiro turno foi de 21,08%, maior percentual desde 1997. “Precisamos intensificar nossas ações que não são poucas, que contaram com o apoio de influencers”, disse o ministro. “Não é o ideal a abstenção de 20%, vamos aprimorar mecanismos para o segundo turno”. Em 2022, o índice foi de 20,93%.
Sobre o prazo de 50 minutos que a apuração presidencial ficou sem atualização, o presidente explicou que houve congestionamento dos sistemas. “Prezamos antes de tudo pela segurança, antes rapidez”, disse.
E-título
Nunes Marques reforçou que o e-título que se consolidou como uma importante ferramenta de apoio ao eleitorado. Segundo o ministros, até as 19 horas deste domingo (4/10), foram registradas aproximadamente 8,6 milhões de emissões do e-Título, além de 22,1 milhões de consultas aos locais de votação. O aplicativo também registrou cerca de 4,3 milhões de justificativas. “Esses números demonstram a dimensão do serviço prestado pela Justiça Eleitoral e, sobretudo, a importância de oferecer ao eleitorado informações acessíveis, confiáveis e disponíveis”, disse.
O ministro informou que, no que se refere à segurança pública, os dados nacionais compilados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública registraram 907 crimes eleitorais em todo o país, além da apreensão de R$ 626,3 mil
As ocorrências mais frequentes foram o crime de boca de urna, no total de 311 registros, correspondente a 32,2% e de propaganda eleitoral irregular, no total de 272 ocorrências, o que corresponde a 28,2%. Nunes Marques informou que irregularidades como usos de óculos ou broches com câmeras serão investigados.
De acordo com Nunes foram mobilizadas 321.040 pessoas das forças de segurança pública, sendo 305.043 integrantes das forças estaduais, 6.565 da Polícia Federal, 2.726 da Polícia Rodoviária Federal, 142 da Força Nacional e 6.564 profissionais em regime de sobreaviso.